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Economia
11/04/2022 15:30h

Intervenção estatal na economia, instabilidades políticas, crescimento do agronegócio e sobrecarga tributária sobre as indústrias brasileiras estão entre as principais causas para perda de protagonismo do setor

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Entre 1980 e 2021, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu de 34% para 22%. Para o ex-presidente da República Michel Temer, a indústria perdeu espaço nas últimas décadas devido ao crescimento do agronegócio ao mesmo tempo em que os governos sobrecarregaram a atividade industrial. 

"Ao longo do tempo deu-se um fenômeno no Brasil que foi o crescimento extraordinário do agronegócio. Quem sustenta o PIB hoje do Brasil é o agronegócio. A indústria brasileira passou por muitas dificuldades, desde a questão trabalhista até a tributária”, disse o ex-presidente durante o seminário Evolução Política, evento que faz parte da série que celebra os 200 anos da Independência do Brasil, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

No mesmo evento, especialistas apontaram que o fenômeno da desindustrialização tem causas diversas, entre elas a forte intervenção estatal na economia, as instabilidades políticas, o crescimento do agronegócio e a sobrecarga tributária sobre os industriais brasileiros. 

Para o cientista político José Álvaro Moisés, dois fatores ajudam a explicar as causas da desindustrialização brasileira: a instabilidade política e a ausência de uma política de incentivo à indústria. 

“As crises sucessivas e a disruptura na política não favorecem o investimento privado na indústria, nem o investimento nacional. Pensando em vários governos, não vemos uma política industrial, o que significa levar em conta as reivindicações do setor, mas entender como questões estruturais da organização do sistema do país, eventualmente o corporativismo e o patrimonialismo, afetam o funcionamento da atividade econômica privada. Isso prejudica a possibilidade de uma política industrial mais ativa, capaz de recuperar o papel da indústria em relação, por exemplo, ao que [havia] em 1980”, avaliou.  

A historiadora e escritora Mary Del Priore, autora da série de livros "Histórias da gente brasileira (colônia, império e república)", disse que o agronegócio está fortemente representado por alguns partidos no Congresso Nacional, o que pode explicar, também, a ausência de uma política voltada para a indústria nas últimas décadas. Ela acrescenta que a competitividade com o mercado internacional sem a desoneração do setor contribuiu para a desindustrialização.  

“O papel da mundialização e da entrada de produtos, da vontade de consumir do brasileiro e as portas abertas para os produtos chineses devem ter detonado com a nossa indústria", opinou.

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O sociólogo Bolívar Lamounier, autor do livro “Da Independência a Lula e Bolsonaro: dois séculos de política brasileira”, disse que a estagnação da indústria brasileira se deu em meio a políticas econômicas muito fechadas, que deram pouco espaço para o investimento privado. O caminho para reverter o quadro, segundo ele, é abrir a economia. 

“É preciso tirar da cabeça essa loucura de crescer com investimento estatal de um Estado que tem um déficit orçamentário, que não tem dinheiro para fechar as contas. Isso é um disparate. Temos que atrair capital estrageiro, assegurando segurança jurídica e encaminhando investimentos para o setor privado. Ou fazemos isso ou não vamos crescer”, disparou. 

Para o líder do Governo na Câmara dos Deputados, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), a pandemia evidenciou que não é viável para o Brasil depender tanto de insumos, máquinas e equipamentos produzidos no exterior. “As empresas fabricam lá na China, na Índia, com suas marcas daqui, gerando empregos lá fora e nós aqui nos apropriando apenas de um custo mais baixo dos produtos. A pandemia nos ensina que esse modelo é frágil. Faltaram muitos componentes dos produtos em função da crise gerada pela pandemia e do isolamento social”, disse. 

Diante das lições deixadas pela pandemia, Barros acredita que a indústria brasileira há de se aproveitar para ganhar destaque novamente. “A tendência, me parece agora, é que as indústrias voltem a ter os seus parques industriais nos seus países de origem. O que vai ser muito bom, porque os países que têm custo de vida mais alto, mais desenvolvidos, terão que agregar muita tecnologia para concorrer com os países de mão de obra mais barata e isso vai nos colocar num outro ciclo de evolução da indústria. Olhar pro futuro e olhar pro passado nos ensina as medidas certas a tomar”, pontuou. 

O ex-presidente Michel Temer e o cientista político José Álvaro Moisés também destacaram que é preciso enfrentar o chamado Custo Brasil para que a indústria brasileira volte a crescer de forma sustentável. Para isso, eles afirmaram que a aprovação de reformas, como a trabalhista (feita em 2017) e a administrativa são fundamentais. 

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Economia
08/04/2022 12:02h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

PIB 
O PIB do Paraná cresceu 3,3% em 2021, totalizando R$ 579,3 bilhões, divulgou o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), nessa quinta-feira (31). Apesar de estar abaixo do desempenho do PIB nacional, que subiu 4,6% no ano passado — recuperando o tombo de 3,9% em 2020 —, a economia do estado não via aumento tão significativo desde 2014. O resultado foi puxado, principalmente, pela ampliação de 8,52% no valor adicionado da indústria e de 2,28% no setor de serviços.

O deputado Sergio Souza (MDB-PR), destaca que o Brasil está mais atraente para os investidores estrangeiros, o que contribuiu para o avanço da economia em 2021. “O Brasil vinha de uma recessão muito grande já desde 2013, crescendo muito pouco ou até mesmo encolhendo. Mas o Brasil virou um grande atrativo de novos investimentos. Isso fez com que nós voltássemos a crescer”, afirma. 

Para o parlamentar, a alta de investimentos no Brasil está apenas no começo e isso deve influenciar o crescimento sustentável do país nos próximos anos. “Entrou muito capital para investimentos no Brasil e vai entrar muito mais ainda. Eu acredito que sim [o crescimento da economia é sustentável], porque o Brasil ainda é deficitário em logística e muitos investimentos vêm para a logística”, aposta. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

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Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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Economia
07/04/2022 03:43h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

PIB 
O PIB do estado de São Paulo avançou 5,7% em 2021, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). O desempenho foi superior ao PIB nacional, que cresceu 4,6%, revertendo a queda de 3,9% registrada em 2020. Para o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), o resultado é consequência da abertura da economia brasileira, com destaque para a Lei de Liberdade Econômica. 

“Acho que as medidas que o governo está tomando são as medidas corretas, de liberalizar a economia, desburocratizar e criar mais infraestrutura, o que tem efeitos multiplicadores na economia. Essas são as medidas de base, como a lei de livre iniciativa, que foi muito importante e realmente logra sucesso ao longo do tempo”, destaca. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

Em relação a 2022, o parlamentar destaca que o Executivo e o Congresso Nacional devem pautar as reformas tributária e do funcionalismo público. “Nós temos problemas estruturais com relação ao sistema tributário, a reforma administrativa. São sinalizações que são necessárias para que a economia continue crescendo”, aponta. “E tem tudo pra crescer. Considerando que o mundo hoje, exceto o Brasil, está numa instabilidade muito maior. E isso nos coloca até relativamente falando em um parâmetro de estabilidade e disciplina fiscal, o que não está se manifestando nos mercados mais desenvolvidos”, conclui. 

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Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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Economia
04/04/2022 03:48h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

Brasil alcança maior taxa investimento desde 2014, mas ainda ocupa 128ª colocação em ranking internacional

PIB cresce 4,6% em 2021 e país retoma patamar anterior à pandemia, diz IBGE

PIB 
Segundo estimativa preliminar da Fundação João Pinheiro (FJP), o PIB de Minas Gerais cresceu 5,1% no ano passado, totalizando R$ 805,5 bilhões. O setor de serviços teve participação de 61,6%, seguido da indústria (30,1%) e da agropecuária (8,3%). O resultado foi melhor do que o PIB nacional, que cresceu 4,6% em 2021, recuperando o tombo de 3,9% registrado em 2020. 

O deputado federal Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) espera que a economia continue crescendo de “maneira virtuosa”. “Tudo indica que a economia vai crescer de forma robusta se não acontecer nenhum fato novo ou nenhuma surpresa. O Brasil é um país que tem uma economia forte, pujante. Estamos trabalhando no rumo certo e os números estão mostrando”, pontua. 

O deputado comemora as notícias de que o país já retornou ao patamar pré-pandemia. 

“É muito alvissareira essa notícia. A gente percebe que o Brasil estava caminhando no rumo certo quando veio a pandemia e nós tomamos as medidas que eram necessárias.  O Brasil é um país que tem uma economia robusta, de modo que foi uma surpresa positiva, mas tínhamos a convicção de que estávamos trabalhando no caminho certo”, avalia o deputado Lafayette de Andrada. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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28/03/2022 01:57h

O Brasil 61 entrevistou o professor Adriano Paranaiba, diretor acadêmico do Mises Academy. O especialista acredita que algumas das reformas feitas nos últimos anos podem começar a surtir efeito em 2022. Ele também explicou por que acha que o Brasil está no rumo certo quando o assunto é de onde vem os recursos para investir

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O índice que mede a confiança do consumidor (ICC) caiu 3,1 pontos em março, segundo divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta sexta-feira (25). A inflação na casa dos dois dígitos (10,54%) e o endividamento das famílias pesaram para que o otimismo dos brasileiros caísse no último mês. 

Por outro lado, há pouco mais de três semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,6% em 2021 e que a taxa de investimento chegou aos 19,2%, o maior patamar desde 2014. Além disso, no ano passado, o Brasil gerou mais de 2,7 milhões de vagas de emprego com carteira assinada. 

Como entender os sinais contraditórios que a economia brasileira parece dar? Para tentar explicar, o portal Brasil 61 entrevistou o professor Adriano Paranaíba. O economista e diretor acadêmico do Mises Brasil falou sobre o resultado do PIB de 2021 e sobre as projeções para a economia do país este ano. 

Segundo o especialista, a perspectiva para o ano de 2022 é positiva, mesmo com a guerra entre Ucrânia e Rússia impactando as cadeias de produção e a inflação em alta. No cabo de guerra entre as projeções do Ministério da Economia, que aposta em crescimento próximo aos 2% e do mercado financeiro, que fala em 0,5%, Paranaíba prefere não tomar partido. 

Durante o bate-papo, o economista destacou o que, para ele, foi a notícia mais positiva do PIB brasileiro do ano passado: a alta na taxa de investimentos, que em apenas um ano cresceu 17,2%. Paranaíba explicou porque acredita que o Brasil está no caminho certo quando o assunto é de onde tem que vir o dinheiro para financiar o crescimento e criticou a reação “tardia” do Banco Central para lidar com a inflação. 

PIB cresce 4,6% em 2021 e país retoma patamar anterior à pandemia, diz IBGE

Brasil alcança maior taxa investimento desde 2014, mas ainda ocupa 128ª colocação em ranking internacional

Confira a entrevista:

Brasil61: A confiança do consumidor caiu em março, a inflação está na casa dos dois dígitos e o endividamento dos brasileiros é alto. Ao mesmo tempo, há não mais de um mês, o IBGE divulgava que o PIB brasileiro cresceu 4,6%, a taxa de investimentos alcançou o maior patamar desde 2014 e que o mercado formal de trabalho gerou mais de duas milhões e setecentos mil vagas em 2021. Os sinais da economia do país parecem contraditórios. Para ajudar a entendê-los, eu, Felipe Moura, conversei com o professor Adriano Paranaíba. O economista e diretor acadêmico do Mises Academy detalhou o resultado do PIB de 2021 e fez projeções para a economia brasileira em 2022.  

Professor Adriano, apesar de o PIB ter crescido 4,6% em 2021, a agropecuária, que costuma puxar a economia nos últimos anos, recuou. Qual análise o senhor faz dessa questão? 

Professor Adriano Paranaíba: “O PIB agropecuário, durante muitos períodos de crise brasileira, foi quem segurou mesmo o crescimento ou impediu um crescimento negativo maior, mas, na verdade, a parte agrícola foi muito bem. Eles foram beneficiados por ganhos reais de preços das commodities e quem realmente puxou pra baixo foi a questão da pecuária, que da mesma forma como a agricultura se beneficiou do câmbio, a pecuária foi um pouco prejudicada nesse sentido. Por mais que o PIB do IBGE fala lá da agropecuária, que teve esse recuo, o agronegócio teve um crescimento substancial. Eu acredito que a agricultura conseguiu superar essas desvantagens climáticas que você relatou, mas realmente a preocupação veio lá do setor da pecuária. Por exemplo, se pegar o PIB do agronegócio da CNA, a pecuária puxou 8,04% para baixo”. 

Brasil61: Agora, falando de perspectivas para 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o mercado financeiro costumam divergir bastante em relação aos indicadores. Um fala em crescimento de 2%, outro em apenas 0,5%. O que o senhor pensa dessa discussão? 

Professor Adriano Paranaíba: “Eu não vou defender nenhum dos dois nesse meu ponderamento, porque o ministro Paulo Guedes faz o papel de ministro, que é vender otimismo pro mercado. Contudo, é bom a gente fazer uma análise retrospectiva: o [Boletim] Focus mais erra do que acerta. A gente tem um histórico de erros, tanto em previsão de PIB, como de taxa de juros e perspectiva de inflação também. Eu acredito que podemos ter um PIB melhor para esse ano por causa dos resultados de políticas microeconômicas, principalmente, que foram tomadas ao longo desses três anos. Está evidente que a pandemia acabou. A gente está tendo uma retomada, mais movimento acontecendo nas cidades. Então, a economia está voltando. Não dá para apostar contra um cenário de economia crescente esse ano”. 

Brasil61: O senhor é otimista mesmo com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia impactando as cadeias globais de produção?

Professor Adriano Paranaíba: “Essa questão da Ucrânia com a Rússia, a guerra está se estendendo mais do que muitos analistas imaginavam e isso está trazendo uma instabilidade econômica financeira muito grande e o Brasil está, de certa forma, atraindo investimento. Você está tendo um volume interessante de pessoas migrando, trazendo investimento pro Brasil, muito mais porque o mundo está muito ruim do que propriamente do Brasil estar muito bom”. 

Brasil61: Professor, a taxa de investimento do Brasil alcançou o seu maior patamar desde 2014. Mas ainda estamos na posição 128 de 196 países quando o assunto é investimento. O que é preciso fazer para melhorar?

Professor Adriano Paranaíba: “De fato, foi o dado do PIB que mais chamou atenção porque não dá pra negar, pessoal, que o investimento privado é que traz crescimento econômico, é o que gera emprego, é o que gera renda. Você falou aí de dois mil e catorze, nós estamos falando de um Brasil que durante um período acreditava que o governo é quem era o responsável por fazer investimento. Nós tivemos lá a política lá dos ‘campeões nacionais’. Muito dinheiro e crédito subsidiado. E isso acabou nos levando a uma grande crise que tivemos e que nos colocou nessa posição tão ruim do Outlook do FMI. Então, o que nós estamos fazendo, na verdade, é correndo contra, que é o que puxou a gente a âncora lá pra trás, que nos afundou nesse número. Os números estão mostrando que a gente precisa aprofundar mais ainda nessa agenda que está dando certo. Tem muita gente torcendo contra, mas realmente essa questão de abertura econômica, abertura comercial do Brasil, facilita a atração de investimentos privados para um investimento real. Vamos imaginar assim: é como se fosse uma corrida e a gente demorou pra dar a largada. Agora é manter o ritmo e continuar só pensando em crescer que a gente vai alcançar o resto dos outros cento e tantos países que estão à nossa frente”. 

Brasil61: Na sua opinião, o investimento tem que vir da iniciativa privada? 

Professor Adriano Paranaíba: “Por que o investimento público na minha perspectiva é um investimento ruim? Porque ele não tem as informações que o mercado tem. E em vez de ajudar a economia, ele acaba distorcendo a economia. Não tem como burocrata em Brasília dizer exatamente quais são as áreas que precisam de investimento. Porque toda vez que o governo vai falar assim: ‘eu vou fazer um investimento’, ele acaba direcionando o investimento. Se esse investimento fica a cargo do mercado, o mercado que tem a sua capilaridade, os investidores, eles têm ali a capilaridade de enxergar o que que está acontecendo na economia, e na economia do mundo, eles vão saber direcionar melhor esse investimento”. 

Assista à entrevista completa abaixo:

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Economia
14/03/2022 04:45h

Especialistas explicam que o salto do investimento em 2021 é animador e está relacionado a um melhor ambiente de negócios. No entanto, destacam que país está aquém de seu potencial e distante das economias mais desenvolvidas do mundo e, até mesmo, de países emergentes

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A taxa de investimento no Brasil saltou de 16,6% para 19,2% no último ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o melhor resultado do indicador desde 2014 e está acima da média dos últimos dez anos, que foi de 17,7%. O desempenho é animador, mas ainda está longe do ideal. Levantamento do portal Brasil 61 junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que 65% dos países continuam à frente do Brasil quando o assunto é taxa de investimento proporcional ao PIB. 

Segundo o IBGE, a formação bruta de capital fixo, ou seja, os investimentos que as empresas fazem para ampliar a capacidade de produção, avançou 17,2% em 2021.  Destaque para os investimentos em máquinas e equipamentos (um dos componentes do indicador), que cresceram 23,6%. 

O professor Adriano Paranaíba, economista e diretor do Mises Academy, diz que o resultado é promissor. "Para a gente gerar emprego, renda e crescimento de um país é o indicador mais importante. A compra de máquinas e equipamentos significa que o empresário está vendo que vai ter uma retomada do consumo de bens, então eu tenho que fabricar mais produtos. Ao fabricar mais produtos, tenho que contratar mais gente, até mesmo para começar a fábrica, e aí você tem essa onda de crescimento saudável”, explica. 

Margarida Gutierrez, economista e professora do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que ninguém investe em máquinas e equipamentos para tê-los parados nas fábricas. Ou seja, se houve crescimento nesse indicador é porque a perspectiva em relação ao ambiente de negócios para os próximos anos é otimista. 

“Para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a compra de máquinas e equipamentos, construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis. Nenhuma empresa aumenta uma instalação, seu parque fabril, se não tiver expectativas de aumento de vendas", afirma. 

Pierre de Souza, professor e consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o crescimento da taxa de investimento é animador, mas que é preciso esperar um pouco para avaliar se a alta será sustentável nos próximos anos.  

“Temos que ter em mente também que é um número que ainda está próximo do que era entre 2012 e 2014, ou seja, não é que a gente esteja acima do que estava naquela fase. Olhando uma série histórica um pouco mais longa, ainda não é tão animador assim. É um número bom, um patamar melhor. A gente ainda tem bastante espaço pra crescer e, talvez, a gente consiga ver nos próximos meses se 2022 segue nessa linha de crescimento”, avalia. 

Tal cautela se justifica, para Pierre, porque os aportes em construção também aumentaram (12,8%), mas não na mesma proporção do que o componente máquinas e equipamentos, por exemplo. 

“Quando é que a gente vai se empolgar com o número? Quando a construção civil também seguir nessa toada. Porque se a construção civil aumentou o investimento em ativos fixos, a gente tem realmente uma visão de longo prazo no sentido de ‘oh, tem um ativo físico que está sendo construído e isso não vai ser uma coisa de curto prazo’. Tem um crescimento importante em máquinas e equipamentos, mas construção civil ainda não é tão significativo. É um dado que a gente vai ter que acompanhar, porque seria mais sustentável, ou seja, o investimento no Brasil nessas duas vertentes subindo junto”, analisa. 

Arte: Brasil 61

Causas

Os economistas que o Brasil 61 conversou são unânimes ao apontar que o crescimento da taxa de investimento tem, entre as causas, a melhoria do ambiente de negócios. A aprovação dos marcos do saneamento básico, do mercado de câmbio e das ferrovias, da nova lei do gás e da lei de liberdade econômica, estão entre as iniciativas que colaboram para atrair investimentos, aponta Pierre. 

“Tudo isso que tende a gerar um ambiente mais amigável ao investidor tem relação direta com quanto vai ser investido aqui. Quando a gente olha reformas ainda mais específicas para investimento, ou seja, [marco das] ferrovias, eu estou atraindo investidores, dando a possibilidade para ele investir em ferrovias para ter um retorno no futuro, estou criando o ambiente propício para o investimento”, diz. 

Paranaíba diz que o marco do saneamento básico já surte efeitos na economia. “A gente já está vendo muitos investimentos.Tivemos licitações em cidades, em regiões metropolitanas importantes do Brasil, leilões de valores de investimento bem alto”, cita. 

Além disso, ele explica que o formato das licitações de concessões de serviços à iniciativa privada está melhorando, o que influencia o impacto dos investimentos. “O leilão do 5G está sendo um divisor de águas de como o Brasil faz leilão. Porque, até então, o investidor para explorar um serviço público dava um dinheiro para o governo [em outorgas]. No do 5G ganha o leilão quem falar que vai investir mais em infraestrutura. Isso acelera esse processo e atrai investimento inteligente, que realmente vai trazer mudança para a sociedade”, avalia. 

Abaixo do potencial

Apesar de atingir seu melhor resultado desde 2014, quando a taxa de investimento foi de 19,9%, o Brasil vê 127 países melhor colocados quando o assunto é investimento.  O levantamento do World Economic Outlook (WEO), do FMI, lista 196 países. Isso significa que quase dois terços dos países têm melhor desempenho nesse indicador do que o Brasil. 

Quando a comparação é com as 20 maiores economias do mundo, entre as quais o Brasil está, o país só tem taxa de investimento maior do que o Reino Unido. Empata com a Itália, mas perde para outros 17 países. Confira o levantamento do Brasil 61 abaixo.

Arte: Brasil 61

Em relação ao grupo dos BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a taxa de investimento nacional só está acima da dos sul-africanos. 

Taxa de investimento/PIB - BRICS

  • China - 42,9% 
  • Índia - 29,7%
  • Rússia - 23,4% 
  • Brasil - 19,2% 
  • África do Sul - 13,5% 

O investimento no Brasil também está abaixo da média de investimento nos países que fazem parte da América Latina e Caribe, que é de 19,4%. Já em relação às economias emergentes ou em desenvolvimento, o desempenho é ainda menor. Esses países têm taxa de investimento média de 33,1%, segundo o FMI. 

Adriano Paranaíba afirma que o Brasil ainda está “muito longe do ideal”. Ele explica que outros rankings, como o de liberdade econômica e desenvolvimento econômico, também retratam essa situação. “Mesmo com essa melhoria a gente subiu poucas posições e, muitas vezes, a gente subiu posições em alguns indicadores porque países que estavam na nossa frente caíram nesse período de pandemia. Mas isso é só uma prova de como nós estávamos realmente atrasados e que um crescimento de 17% ainda fez a gente ficar lá na lanterninha”, destaca. 

Pierre diz que o crescimento do investimento no Brasil é motivo para comemoração, mas não pode esconder que o país está aquém de seu potencial. “Comparando com outros países a taxa de investimentos no Brasil ainda é menor a economias similares à nossa. E esse é um ponto que realmente preocupa, porque uma coisa é estar melhorando, nós contra nós mesmos. Agora, a gente tem que ver a gente comparado ao resto do mundo”, diz. 

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Perspectivas

Os economistas apontam que a relação entre investimento e PIB é direta. Ou seja, se os investimentos aumentam, o país tende a crescer economicamente. O contrário também se aplica, via de regra. 

“Dificilmente você vai encontrar um país que teve um crescimento de PIB sustentável sem ter tido um crescimento de investimento também sustentável. O país tem que investir, criar os ativos que, no longo prazo, vão gerar economia. Tem discussões sobre qual é o vetor de investimento: se público ou privado, aqui entra numa outra seara, mas o ponto importante, é: como é que tu vai criar um PIB sustentável? Pelo investimento”, afirma Pierre. 

“Países que abriram sua economia mais do que o Brasil para investimentos e permitiram que esses investimentos, de fato, acontecessem deram um salto de crescimento econômico, como Austrália, Coréia do Sul, o próprio Chile, muito antigamente. Esses países conseguiram não só um crescimento econômico para dizer que o PIB cresceu, mas melhoria da qualidade de vida das pessoas”.

Adriano Paranaíba, economista. 

Por isso, a tendência é que se a taxa de investimento no Brasil cresceu em 2021 e continuar avançando isso vai se refletir no PIB brasileiro dos próximos anos. “Teve mais capital fixo investido. Espera-se que esse capital fixo gere retorno, e esse retorno vai se refletir no PIB de 2022, 2023 e 2024”, diz Pierre. 

Paranaíba explica que os efeitos das reformas estruturais já feitas, como a previdenciária, trabalhista, e dos marcos legais não ocorrem da noite para o dia. “Infelizmente, com um discurso eleitoreiro, muita gente pode falar assim ‘oh, está vendo, a gente fez um monte de reforma e não mudou’. Não mudou porque ainda não deu tempo delas de fato acontecerem, de haver a maturação dos investimentos e esses investimentos lograrem sucesso para atrair mais investimentos”, analisa. 

Os especialistas também afirmam que a reforma tributária é o próximo passo significativo que o Brasil tem que dar para que os investidores continuem chegando. “Essa é a mãe das reformas que a gente está precisando fazer pra realmente ter investimento. O sistema tributário brasileiro é um manicômio tributário. Um investidor para vir ao Brasil tem que, primeiro, contratar um escritório de advocacia tributarista para entender o sistema. O custo de se pagar o imposto no Brasil pode ser até maior do que o valor do próprio imposto. Então, é isso que afugenta mais investimentos ainda no Brasil”, finaliza. 

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Economia
04/03/2022 18:07h

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 8,7 trilhões. Resultado positivo está um pouco acima do que o mercado financeiro previa, e foi impulsionado pelos setores de serviço e indústria. Desempenho da agropecuária é negativo

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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 4,6% em 2021. Em valores correntes, a soma dos bens e serviços que o país produziu totalizou R$ 8,7 trilhões e recuperou as perdas da economia causadas pela pandemia da Covid-19. Já o PIB per capita foi de R$ 40.688,10 o que representa alta de 3,9% em relação a 2020. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4). 

Em 2020, após a chegada da Covid-19 ao país, a economia brasileira encolheu 3,9%. O crescimento de 4,6% em 2021 está um pouco acima das projeções do mercado financeiro, que até o fim do ano passado falavam em alta de 4,5% do PIB, enquanto o governo, mais otimista, estimava elevação de 5,1% da atividade econômica. 

O professor e economista Adriano Paranaíba ressalta que o resultado do PIB é maior do que o previsto por boa parte dos analistas. “A expectativa do mercado era de 4% a 4,5%. Ou seja, esse resultado surpreende porque ficou um pouco [acima], por mais que se fale um pouco, mas pra um ano com cenário de pandemia que nós tivemos, podemos, sim, colocar que é uma surpresa muito positiva”, analisa. 

Margarida Gutierrez, economista e professora do Coppead/UFRJ, lembra que o crescimento da economia brasileira também está acima das projeções do início do ano passado. 

“As estimativas, em média, eram de um PIB crescendo 3,6% a 3,7%.  Ao longo do ano, essas previsões foram sendo revistas para cima e acho que tem a ver com o processo de abertura da economia, com o avanço do controle da pandemia e o avanço da vacinação. Isso também gerou, além de expectativas mais favoráveis, a abertura de importantes segmentos, como o setor de serviços”, destaca. 

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Indústria e serviços puxam PIB para cima
Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país. 

Segundo o IBGE, todas as atividades que compõem o setor de serviços cresceram em 2021. Destaque para os segmentos de transporte, armazenagem e correio (11,4%) e informação e comunicação (12,3%). O comércio também apresentou alta (5,5%). 

Margarida explica que o setor de serviços foi retomando espaço de forma gradual em 2021 em resposta à reabertura da atividade econômica. Ela destaca que o setor responde por cerca de 70% do PIB brasileiro e que o avanço do segmento de informação e comunicação é positivo.

“É um subsetor do setor de serviços que vem tendo uma performance espetacular. Inicialmente, por razões da pandemia, os lockdowns obrigaram as pessoas a comprar em plataformas e sem contato físico, mas isso é uma tendência no mundo. Isso é um aspecto muito positivo, porque aumenta muito a produtividade da economia e veio para ficar”, avalia. 

No caso da indústria, o avanço foi possível, sobretudo, pelo desempenho do setor de construção civil, que cresceu 9,7% em 2021, recuperando-se do tombo de 6,3% no ano anterior. 

Agropecuária
Surpreendeu negativamente o resultado da agropecuária, que recuou 0,2% no ano passado. Em 2020, foi o setor que puxou o PIB brasileiro em meio à queda geral da economia, com alta de 3,8%, ao passo em que serviços e indústria caíram. 

O órgão explica que a queda em 2021 ocorreu, principalmente, por conta da estiagem prolongada e das geadas. Mesmo com o crescimento de 11% na produção anual de soja, houve baixa na produção do café (- 21,1%), do milho (- 15%), e da cana-de-açúcar (- 10,1%). Na pecuária, o desempenho abaixo das expectativas se explica, sobretudo, pela queda nas estimativas de produção dos bovinos e de leite. 

A professora Margarida lembra que o ano de 2021 foi conturbado para o agronegócio. Ela estima que se, em vez de cair 7% no terceiro trimestre, o PIB do setor apenas tivesse ficado estagnado, o resultado da economia brasileira como um todo no ano passado poderia ter se aproximado mais dos 5%. 

“Essa queda da agropecuária a gente não explica por motivos econômicos. É um resultado que foi, basicamente, determinado por condições climáticas muito adversas que o Brasil vivenciou nas lavouras, como seca, geada e enchentes. Então, teve de tudo, e isso acabou impactando na queda de importantes produções de lavouras, que são relevantes na atividade agropecuária”, diz. 

Demanda interna
No ano passado, o consumo das famílias cresceu 3,6% e o do governo teve alta de 2%. Dessa forma, todos os componentes da demanda se recuperaram da queda em 2020. “Houve uma recuperação da ocupação em 2021, mas a inflação alta afetou muito a capacidade de consumo das famílias. Os juros começaram a subir. Tivemos também os programas assistenciais do governo. Ou seja, fatores positivos e negativos impactaram o resultado do consumo das famílias no ano passado”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. 

Outro resultado positivo foi o avanço da taxa de investimento, que saltou de 16,6% para 19,2% entre 2020 e 2021. Isso se deve ao avanço da indústria da construção e à produção interna de bens de capital. Para o professor e economista Adriano Paranaíba, o aumento do investimento é a notícia mais importante que o balanço do PIB traz. 

“Não tem como a gente fazer a economia crescer de forma que gere renda e emprego sem ser via investimento. Junto com ele também tivemos outro dado importante, que é a redução do gasto público de 2%, o que mostra que a pauta tem que ser adiantada para mais abertura de mercado, mais investimento privado, que é o que traz, de fato, o crescimento econômico. Uma economia mais aberta traria ainda mais investimentos e poderíamos sair mais rapidamente desse cenário de recessão técnica”, avalia. 

A economista Margarida ressalta que, na comparação com 2020, a taxa de investimento aumentou 17% em 2021. “Esse é um dado muito importante, porque diferente do consumo, que é um componente que estimula o PIB, o investimento, além de expandir o PIB, aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer depende de expectativas favoráveis. Se essa taxa de investimento cresceu tanto, é um sinal de expectativas altamente favoráveis para o médio e longo prazo”, explica. 

Já a balança de bens e serviços apresentou alta de 12,4% nas importações e de 5,8% nas exportações. Ambos os indicadores caíram em 2020. “Como a economia aqueceu, o país importou mais do que exportou, o que gerou esse déficit na balança de bens e serviços. Isso puxou o PIB um pouco para baixo, contribuindo negativamente para o desempenho da economia”, justificou Rebeca Palis.

Comparativo
O PIB do quarto trimestre de 2021 cresceu 0,5% na comparação com o resultado do terceiro trimestre do ano, que vinha de queda de 0,1%. Vale lembrar que no primeiro trimestre do ano passado a economia subiu 1,4% e, no segundo, caiu 0,3%. Já em relação ao quarto trimestre de 2020, o PIB dos últimos três meses de 2021 aumentou 1,6%. 

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23/02/2022 04:30h

O Regime Especial da Indústria Química (Reiq) foi revogado pela MP 1095/2021, o que levantou críticas de parlamentares e especialistas

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A Medida Provisória 1095/2021, que revoga o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), é um retrocesso que promove insegurança jurídica com graves efeitos sobre diversas cadeias produtivas. É o que defendem especialistas e parlamentares no Congresso Nacional. A MP afeta diretamente a economia de estados como a Bahia. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor químico responde por 7,8% da indústria na Unidade da Federação. 

Na avaliação do deputado federal pelo PCdoB baiano, Daniel Almeida, acabar com o Reiq de forma repentina aumenta o número de demissões do setor, já que impede a indústria química de se programar adequadamente até o fim gradativo do incentivo. 

“A Medida Provisória não só vai destruir o que temos no parque industrial químico, com prejudicar toda a indústria nacional. Isso porque a indústria química é uma espécie de mãe das outras indústrias. Além de produzir desemprego, a MP gera instabilidade econômica, jurídica e prejudica a arrecadação tributária”, considera. 

Fim do regime

Até então, o Regime Especial da Indústria Química valeria até 2025, mas foi revogado pela MP 1.095/2021, publicada no dia 31 de dezembro. O prazo para a análise da medida vai até o início de junho. 

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O diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, afirma que a decisão do governo foi vista com perplexidade, principalmente porque o presidente Jair Bolsonaro já havia sancionado a medida aprovada pelo Congresso Nacional.  

“Essa Medida Provisória retoma um tema que já havia sido tratado pelo Congresso Nacional. Então, a MP acaba repetindo sobre o que os parlamentares já haviam decidido. A decisão foi de manter o Regime Especial da Indústria Química por mais três anos e meio, a contar da metade do ano passado. Não esperávamos que o governo fosse fazer nova tentativa de extinção do Reiq”, destaca.  

Para o deputado Paulo Azi (DEM-BA), essa situação impede que as empresas brasileiras que atuam no setor tenham condições de competir com companhias estrangeiras. 

“Qualquer alteração da política de incentivo, além de provocar esse desequilíbrio traz insegurança jurídica para o setor. Também defendo que qualquer alteração dessa natureza só deva ocorrer dentro de uma proposta mais ampla de reforma tributária, e não de forma isolada”, destaca. 

A Abiquim afirmou, ainda, que o fim abrupto do Reiq põe em risco 85 mil empregos, gera uma perda de arrecadação de R$ 3,2 bilhões e uma redução no PIB que pode chegar a R$ 5,5 bilhões, além de inviabilizar unidades industriais no Brasil e afetar diretamente cerca de 20 indústrias químicas. 

Criado em 2013, o Reiq concede incentivos tributários à indústria química. Na prática, o regime especial isenta em 3,65% o PIS/Cofins sobre a compra de matérias-primas básicas petroquímicas de primeira e segunda geração.  
 

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Economia
22/02/2022 20:20h

Carlos Eduardo Freitas acredita que crescimento será maior. Mercado estima que economia vai crescer 0,3%, mas ministro Paulo Guedes diz que analistas vão errar novamente

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O economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central,  afirma que não vê fundamentos para que o crescimento da economia fique “só” em 0,3%. O mercado financeiro manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 0,3% para 2022, conforme aponta o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central no último dia 14. A informação contrasta com a projeção do Ministério da Economia, que acredita que o PIB do país vai subir acima dos 2% este ano. 

Para o ex-diretor do BC, as projeções para o PIB brasileiro este ano, de fato, variam bastante e a estimativa do mercado financeiro deve ser respeitada, mas há fatores a serem levados em consideração.

“A única coisa que poderia fazer dar 0,3%, com perdão ao Paulo Guedes, é a política econômica do governo, que é confusa na parte fiscal. A economia mundial está se recuperando, a crise hídrica está no retrovisor. A pandemia, apesar dos pesares, está caindo. Então, eu não vejo porque crescer 0,3%, eu estou com dificuldade de entender. Os 2% do governo, intuitivamente, fazem mais sentido na minha cabeça. Talvez em março e abril os fatos mostrem que o 0,3% fazia sentido, mas falando de hoje, eu não vejo porquê. Eu acho que 2% está razoável”, avalia. 

O Boletim Focus traz, semanalmente, as projeções de mais de 100 instituições financeiras para indicadores econômicos do Brasil, como o próprio PIB, a inflação e a taxa de juros (Selic). Na visão de boa parte desses analistas, as estimativas do governo para a economia brasileira em 2022 são otimistas demais, enquanto o ministro Paulo Guedes já disse, algumas vezes, que o mercado financeiro errou em previsões no passado, e vai errar novamente. 

As estimativas de crescimento para o país de organismos internacionais estão mais próximas da equipe econômica que das do mercado financeiro. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê alta de 2,3% do PIB do Brasil. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) fala em crescimento de 1,5%. 

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Divergência

Já em dezembro do ano passado, quando as projeções da Secretaria de Política Econômica (SPE) e das instituições financeiras se mostravam distantes, o ministro da Economia criticou as expectativas do mercado para a economia brasileira em 2022. 

“Previam que o PIB brasileiro [em 2020] iria cair 10%. Caiu 4%. Várias economias avançadas caíram 9%, 10%. Itália, França, Reino Unido, Alemanha, todos caíram mais do que o Brasil. Previam que a gente ia ficar em depressão. Voltamos em ‘V’. Diziam que era o V do ‘Virtual’, que eu estava imaginando. Como dizem agora que eu estou imaginando um Brasil que não existe para o ano que vem, porque o ceticismo vai sendo rolado ano a ano, à medida que se frustram as piores expectativas”, rebateu durante encontro com empresários e parlamentares. 

O argumento de Guedes para um “novo erro do mercado” tem como base o ano de 2020, quando a pandemia da Covid-19 chegou ao país. Em junho daquele ano, o mercado financeiro chegou a projetar queda de 6,54% para a economia brasileira. A SPE calculava uma queda menor, próxima a 4,7%. O FMI, por sua vez, chegou a falar em baixa de 9,1% da atividade econômica. No entanto, o PIB do Brasil caiu 4,1%, mais próximo do resultado esperado pelo governo. 

Segundo Carlos Eduardo de Freitas, o FMI “errou feio” nos cálculos para o PIB do Brasil de 2020. O consultor afirma que, apesar da avaliação equivocada do mercado, principalmente em junho daquele ano, o impacto da projeção do organismo internacional é mais danoso. 
 
“Este erro é diferente do erro do mercado. O mercado que erra é uma centena de departamentos econômicos de instituições financeiras, de outras empresas, consultorias independentes, que fazem o seu estudo. O FMI é um órgão da maior responsabilidade. Eu sou contra ele ficar antecipando, porque quando ele antecipa queda de 9,1% e deu 3,9%, ele teria que pagar lucros e perdas ao país, porque ele tem uma influência, ele não está entendendo que tem um peso, uma responsabilidade. Eu, como consultor independente, posso falar que o PIB vai cair 10%. Ninguém vai dar bola para mim, eu não tenho influência. Agora, o FMI tem uma responsabilidade enorme. Eu achei muito ruim ele fazer esse tipo de antecipação”, critica. 

Para 2022, há instituições financeiras que já falam em queda do PIB, ou seja, uma recessão do país, o que vai na contramão do que acredita o governo. “Se às vezes parece que somos ufanistas, irreais, não é isso. É que temos que resistir aos ceticismos dos perdedores das eleições anteriores, que geriram o Brasil por 30 anos e atolaram o Brasil no crescimento zero.

Temos que reagir a isso, e não reagimos com ufanismo, mas com realidade. Dizendo: “olha, inflação está subindo, é um problema no mundo inteiro. Banco Central está subindo juros. Isso desacelera o crescimento, mas não causa recessão se a nossa taxa de investimento está chegando a 20%. É o pico desde 2014”, disse Guedes. 

PIB de 2021

No dia 11, o BC informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) subiu 4,5% em 2021. O indicador é considerado uma prévia do Banco Central para o resultado do PIB, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março. 

As expectativas do governo e do mercado financeiro, neste caso, estão mais próximas. A equipe econômica calcula o crescimento do ano passado em 5,1%. Os analistas, em 4,5%.  

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21/02/2022 04:00h

O Regime Especial da Indústria Química (Reiq) foi revogado pela MP 1095/2021, o que levantou crítica de parlamentares e especialistas

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A Medida Provisória 1095/2021, que revoga o Regime Especial da Indústria Química (Reiq) é um retrocesso que promove insegurança jurídica com graves efeitos sobre diversas cadeias produtivas. É o que defendem especialistas e parlamentares no Congresso Nacional. A MP afeta diretamente a economia de estados como o Ceará. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor químico responde por 2,6% da indústria na Unidade da Federação. 

Na avaliação do deputado federal pelo MDB cearense, Moses Rodrigues, acabar com o Reiq de forma repentina aumenta o número de demissões do setor, já que impede a indústria química de se programar adequadamente até o fim gradativo do incentivo. 

“É claro que a indústria química iria se programar para que esses incentivos pudessem ser extintos nos próximos quatros anos, e não de forma abrupta como está sendo colocada agora pela MP. O Congresso Nacional deve se posicionar e avaliar essa matéria com muita maturidade porque a indústria química gera milhares de empregos”, considera. 

Parlamentares querem recriar no Congresso Nacional incentivo fiscal à indústria química, extinto por medida provisória
Relator de MP na Câmara aponta que fim do Regime Especial da Indústria Química até 2025 foi a decisão mais equilibrada

Fim do regime

Até então, o Regime Especial da Indústria Química valeria até 2025, mas foi revogado pela MP 1.095/2021, publicada no dia 31 de dezembro. O prazo para a análise da medida vai até o início de junho. 

O diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, afirma que a decisão do governo foi vista com perplexidade, principalmente porque o presidente Jair Bolsonaro já havia sancionado a medida aprovada pelo Congresso Nacional.  

“Essa Medida Provisória retoma um tema que já havia sido tratado pelo Congresso Nacional. Então, a MP acaba repetindo sobre o que os parlamentares já haviam decidido. A decisão foi de manter o Regime Especial da Indústria Química por mais três anos e meio, a contar da metade do ano passado. Não esperávamos que o governo fosse fazer nova tentativa de extinção do Reiq”, destaca.  

A Abiquim afirmou, ainda, que o fim abrupto do Reiq põe em risco 85 mil empregos, gera uma perda de arrecadação de R$ 3,2 bilhões e uma redução no PIB que pode chegar a R$ 5,5 bilhões, além de inviabilizar unidades industriais no Brasil e afetar diretamente cerca de 20 indústrias químicas. 

Criado em 2013, o Reiq concede incentivos tributários à indústria química. Na prática, o regime especial isenta em 3,65% o PIS/Cofins sobre a compra de matérias-primas básicas petroquímicas de primeira e segunda geração.  
 

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