Linha de Crédito

20/12/2021 04:00h

Congresso analisa possibilidade de startups entrarem para o rol de beneficiários dos Fundos Constitucionais de Financiamento

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Os Fundos Constitucionais podem ganhar um novo beneficiário: as startups. Entre os principais instrumentos de financiamento da Política Nacional de Desenvolvimento Regional, os fundos foram criados em 1989 para diminuir as desigualdades nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O Congresso Nacional analisa a possibilidade de oferecer uma linha de crédito ao setor por meio das instituições financeiras federais. O PL 5306/2020 coloca os empreendimentos tecnológicos em pé de igualdade com empresas que desenvolvem atividades produtivas em diversos setores, como mineral, industrial, agroindustrial, turístico e comercial.

A ideia é utilizar os Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO), provenientes de um percentual dos impostos federais arrecadados, em programas de financiamento para fomentar ou promover o início das startups. Esse tipo de empreendimento tem como objetivo o desenvolvimento de produtos ou serviços inovadores de base tecnológica, com potencial de rápido crescimento, de forma repetível e escalável, ou seja, soluções que podem atender uma pessoa, ou um milhão de pessoas, em qualquer lugar do mundo, já que não há limites físicos ou barreiras regionais que impeçam.

Segundo Cristiano Freitas, diretor executivo da AbStartup, a participação nos financiamentos do Fundo Constitucional é importante para que possíveis empreendedores dessas regiões possam tirar a ideia do papel e fazer a diferença. “É muito importante para o setor possibilitar a diversidade de acesso a capital. Até a etapa de validação as startups precisam de investimento, até que entrem em ponto de equilíbrio. Ter uma linha de financiamento é crucial porque alguns negócios podem não ser atrativos para investidores e seria uma solução onde os empreendedores se encontram em um estágio onde não encontram fonte alguma de capital”, aponta. 

Segundo o deputado Laercio Oliveira (PP/SE), as startups formam um cenário extremamente atrativo que tem crescido exponencialmente, com alguns exemplos de empreendimentos bilionários, e com uma participação cada vez mais ativa no mercado nacional e internacional. No entanto, segundo o parlamentar, para o devido desenvolvimento do setor é de fundamental importância a facilitação de acesso ao crédito e investimentos, pois só assim essas empresas de base tecnológica podem crescer e gerar empregos e renda no país.

O deputado explica que as startups iniciam apenas com uma ideia e para que as mesmas virem produto e consigam se alavancar no mercado e ganhar clientes, precisam de recursos iniciais que muitas vezes não são possíveis sem um programa de apoio.

“Essa fase crítica tem de ter investimentos para que a startup consiga avançar. Esse é o grande gargalo das startups. O projeto não sai do campo das ideias diante da falta de recursos. Infelizmente, se não houver investimentos, nenhuma ideia consegue prosperar”, ressalta.

Laércio lembra de um projeto em seu estado, em Sergipe, chamado Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que destinou recursos para a criação de empreendimentos inovadores no Nordeste. “Hoje essas 23 startups têm crescido bastante com os poucos recursos que receberam e já mostram resultados. Ou seja, é de extrema importância esse fundo, porque as startups precisam muito desse incentivo, inclusive a fundo perdido, já que o risco de uma empresa se arriscar nesse negócio é alto, mas quando dá certo, o resultado é muito satisfatório para todos”, destaca.

Desenvolvimento Regional 

Os Fundos Constitucionais para o Desenvolvimento Regional foram criados justamente para proporcionar igualdade de condições às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo Ronaldo Tenório, CEO de uma startup na Região Nordeste, incluir as startups no plano de desenvolvimento regional por meio de financiamentos dos fundos é um encaixe perfeito, já que qualquer empresa de tecnologia pode concorrer com o restante do Brasil, porque independe da geografia. 

“Porém, é necessário ter incentivos financeiros porque ninguém consegue construir algo sem grana. Tem muita mão de obra boa no Nordeste, criativas, e com negócios fantásticos, mas que muitas vezes ficam pelo meio do caminho porque não tiveram combustível suficiente para tocar o negócio. Financiamentos a baixo custo vêm como uma ótima alternativa “, destaca o empreendedor.

O deputado Laércio Oliveira explica que as startups trazem diversas soluções em áreas cruciais para o desenvolvimento regional, como o bem-estar social, educação, tecnologia, inclusão social, segurança alimentar, entre outros. “Todas elas estão ajudando pessoas em situação de vulnerabilidade a terem acesso a diversos serviços, conteúdos e soluções, que antes ficavam limitadas a quem tinha melhores condições financeiras”, aponta. “O propósito das startups é justamente esse, resolver demandas da sociedade com potencial crescimento em larga escala.”

O PL que altera a Lei 7.827/89, que institui os fundos constitucionais de financiamento do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste (FNE, FCO e FNO), e a Lei 10.177/01, que dispõe sobre as operações com recursos desses fundos, ainda aguarda análise no plenário. 

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Desenvolvimento Regional
13/12/2021 21:00h

O valor foi aprovado nesta segunda-feira (13), pelo Conselho Deliberativo, o Condel, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Suden

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O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE, vai financiar até 26 bilhões e seiscentos milhões de reais para empreendedores urbanos e produtores rurais da região em 2022. 

O valor foi aprovado nesta segunda-feira (13), pelo Conselho Deliberativo, o Condel, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene.

O general Carlos César Araújo Lima, superintendente da Sudene, destacou os principais desafios para que os recursos do FNE cheguem a quem mais precisa.

"Gerenciar esses recursos requer, entre outras coisas, planejamento e integração, que é o que nós estamos buscando para 2022. Precisamos levar esses investimentos para áreas menos assistidas. A única grande mudança para 2022, por conta desse papel planejador da Sudene, é levar para o local certo, para o momento certo e para o grupo mais adequado para ser apoiado".

Os recursos do FNE são administrados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, o MDR, e pela Sudene e concedidos por meio do Banco do Nordeste, aquecendo a economia e gerando emprego e renda. 

Os financiamentos podem ser usados em projetos para abertura do próprio negócio, investimentos na expansão das atividades, compra de estoque e até para custeio de despesas relacionadas à administração do empreendimento.

Para saber mais sobre esta e outras ações do Ministério do Desenvolvimento Regional, acesse mdr.gov.br. 

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Desenvolvimento Regional
12/12/2021 15:00h

O valor foi aprovado nesta sexta-feira (10), pelo Conselho Deliberativo, o Condel, da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam

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O Fundo Constitucional de Financiamento do Norte, o FNO, vai financiar até 8 bilhões e seiscentos milhões de reais para empreendedores urbanos e produtores rurais da região em 2022. 

O valor foi aprovado nesta sexta-feira, 10 de dezembro, pelo Conselho Deliberativo, o Condel, da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam.

Louise Caroline Campos Löw, superintendente da Sudam, destacou a importância do FNO para o desenvolvimento da região 

“Esse instrumento é de extrema relevância para a nossa região porque tem como objetivo democratizar o acesso ao crédito. Então, ele, prioritariamente, concede financiamentos para o pequeno produtor, para a agricultura familiar, para a energia fotovoltaica, para micro e pequenos empresários e, também, financia ações relacionadas a infraestrutura”

Os recursos do FNO são administrados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, o MDR, e pela Sudam e concedidos por meio do Banco da Amazônia, aquecendo a economia e gerando emprego e renda. 

Os financiamentos podem ser usados em projetos para abertura do próprio negócio, investimentos na expansão das atividades, compra de estoque e até para custeio de despesas relacionadas à administração do empreendimento.

Para saber mais sobre esta e outras ações do Ministério do Desenvolvimento Regional, acesse mdr.gov.br. 

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Economia
07/12/2021 04:00h

Enquanto os maiores bancos do país já fecharam cerca de duas mil unidades desde o início da pandemia, as cooperativas financeiras pretendem expandir o atendimento presencial. Para moradores de quase 600 municípios do país, elas serão única forma de inclusão bancária

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Na contramão dos maiores bancos do país — que já fecharam 2.080 agências desde o início da pandemia —, as cooperativas de crédito pretendem expandir o atendimento à população. Pesquisa do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) aponta que o segmento deve abrir 1,3 mil novas agências de assistência aos brasileiros até o final de 2022, o que deve consolidar as cooperativas como a maior rede de atendimento do Sistema Financeiro Nacional (SFN). 

A projeção é de que a rede de cooperativas de crédito chegue a 8.800 pontos de atendimento em todo o Brasil. Em 600 municípios, o segmento será a única forma de inclusão e acesso dos moradores aos serviços bancários. Segundo João Carlos Spenthof, presidente do FGCoop, a expansão das cooperativas é importante para a retomada da economia no período de pós-pandemia da Covid-19. 

"Há grandes oportunidades detectadas. Existe um plano de expansão de todas as cooperativas. Queremos mostrar à sociedade o quanto as cooperativas pretendem contribuir para o desenvolvimento econômico e social, e estar presentes em todas as regiões do Brasil”, destaca. 

Emprego

Cada unidade aberta gera, em média, dez empregos diretos, entre atendentes, caixas e gerentes. Isso significa que a inauguração de 1,3 mil agências deve gerar cerca de 13 mil postos de trabalho. Atualmente, as cooperativas de crédito são responsáveis por 71,7 mil empregos diretos. No entanto, Spenthof ressalta que o impacto gerado pela expansão do cooperativismo de crédito será ainda maior. 

“O mais importante não são nem os empregos diretos gerados pelas cooperativas de crédito. São os empregos que elas geram frutos dos empréstimos ou financiamentos que concedem aos seus associados e à comunidade. Com esses empréstimos se gera produção, produção gera riqueza, e a riqueza gera empregos. Todas essas ações levam a um desenvolvimento maior das regiões onde as cooperativas estão presentes”, afirma. 

Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que a cada R$ 35,8 mil emprestados por essas instituições, uma vaga de emprego é criada. Além disso, cada R$ 1 de crédito concedido gera R$ 2,45 na economia. 

Acesso ao crédito puxa melhora financeira das pequenas indústrias brasileiras no terceiro trimestre

Brasil pode perder R$ 8,2 bi do PIB em 2021, devido à alta do preço da energia elétrica

Expansão

De acordo com o Banco Central, 2.427 cidades brasileiras não tinham agência bancária em agosto deste ano, o que representa 43,4% dos municípios. Desde o início da pandemia da Covid-19, o número de municípios desassistidos pelos bancos cresceu. Diante deste cenário, as cooperativas de crédito ganham destaque, pois permitem que a população dessas cidades tenha acesso aos seus produtos e serviços financeiros, como conta corrente, poupança, cartão de crédito e financiamentos. 

A presença dessas instituições se faz ainda mais importante nas regiões mais pobres do país, como o Norte e o Nordeste. De acordo com o FGCoop, essas regiões vão presenciar a expansão das cooperativas em 2022. No Norte, o estudo aponta uma intenção de abertura de 349 unidades. No Nordeste, esse número deve chegar a 240 pontos de atendimento. 

O Sicoob Pernambuco é um dos sistemas cooperativos que pretende aumentar a rede de atendimento. Segundo Aline Robéria, gerente da regional do Sertão, a projeção é que 12 novas unidades sejam abertas nos municípios que estão sob sua área de atuação. 

O município de Prata, no Cariri Ocidental da Paraíba, é uma das cidades atendidas pelo Sicoob Pernambuco. É por meio da cooperativa que os moradores locais têm acesso aos serviços financeiros, já que não há agências bancárias na cidade, explica Aline. “A gente tem um fator que eu considero muito relevante: a nossa forma de atuação. Por sermos a única instituição financeira, por ser uma cidade pequena e por ter o que a gente tanto preza, que é a questão do relacionamento, eu diria que a população tem uma certa afeição pela cooperativa”, avalia. 

Embora Prata tenha menos de 4,3 mil habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a assistência à população é ampla, garante a gerente. O público-alvo do serviço inclui os funcionários públicos, os comerciantes e, também, os pequenos produtores rurais do município. A presença da cooperativa, diz Aline, movimenta a economia local. “A gente aplica, hoje, na cidade de Prata, quase R$ 3,5 milhões em operações de crédito”, diz. 

Dados da própria instituição apontam que são 1.115 associados, o que significa 26% da população da cidade. Quando se leva em conta a população economicamente ativa, o percentual chega a 63%. Para ter acesso a essa carteira de serviços e produtos, é necessário ser sócio da cooperativa, o que é possível com apenas R$ 1. 

José Damião é um dos associados da cooperativa. Com a crise econômica, o pequeno produtor rural precisou recorrer a uma linha de crédito junto à instituição. “Foi essencial, o melhor pra mim. Se não fosse esse financiamento, eu não teria escapado, estava morto. A crise é pesada. Foi uma mão na roda”, conta. 

Com o financiamento, José Damião compra bois e, depois do tempo de engorda, vende o gado para abate. É daí que ele tira o dinheiro para manter os três filhos e pagar as parcelas do empréstimo. “Não sei nem como agradecer. Uso para sustento próprio e da minha família. Compro o gado e do lucro vou sobrevivendo. Eu pago e ainda sobra uma coisinha”, diz. 

Digitalização

O maior número de unidades nos municípios é um alento para parte da população que ainda prefere o atendimento presencial ou que, pela baixa instrução educacional, tenha dificuldade para lidar com as soluções digitais, diz Aline. “Quando a gente chega em uma cidade que fica no interior, existe toda uma questão cultural. A gente não tem como direcionar um aposentado para que ele seja atendido através de um aplicativo. Então, a gente tem um público específico para ser atendido neste município. É toda uma questão cultural, que demanda a questão do relacionamento”, acredita. 

O olhar especial para o atendimento olho no olho, porém, não deixará a oferta tecnológica dos produtos e serviços em segundo plano, garante Spenthof. O segredo é equilíbrio. “Apostamos em um crescimento “fisital” (físico + digital) da estrutura de atendimento ao cooperado. Uma estratégia benéfica tanto para as pessoas que buscam a comodidade de resolver seus problemas financeiros em qualquer hora e lugar, com total autonomia, quanto quem gosta de contar com uma opinião especializada na hora de tomar decisões que envolvam dinheiro”, conclui. 

Sobre o FGCOOP

O FGCoop é uma associação civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, de direito privado, de abrangência nacional, tendo como associadas todas as cooperativas singulares de crédito captadoras de depósitos e os dois bancos cooperativos: Bancoob e Banco Sicredi.

O fundo garantidor foi criado para proteger os depositantes e investidores das cooperativas associadas, com as mesmas garantias de depósitos dadas aos clientes de bancos comerciais (até R$ 250 mil por CNPJ ou CPF). Desta maneira, o FGCoop  contribui com a manutenção da estabilidade do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), ampliando a credibilidade do sistema.

Sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) 

O SNCC é composto por dois  bancos cooperativos, quatro confederações, 34 centrais, 663 cooperativas singulares de crédito captadoras de depósitos e 170 cooperativas singulares de capital e empréstimo. Também fazem parte do setor outras empresas controladas por cooperativas que atuam majoritariamente na prestação de serviços para o cooperativismo financeiro, como a Confederação Nacional de Auditoria Cooperativa (CNAC) e a Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras). 

Em junho de 2021, o SNCC contava com 7,5 mil unidades de atendimento em funcionamento (sedes + postos de atendimento), que hoje representam a maior rede de atendimento financeiro do Brasil.

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Economia
07/12/2021 03:00h

No município de Prata, Cariri paraibano, a presença de uma cooperativa de crédito ajuda a movimentar a economia local

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O município de Prata, no Cariri Ocidental da Paraíba, é uma das cidades atendidas pelo Sicoob Pernambuco. É por meio da cooperativa que os moradores locais têm acesso aos serviços financeiros, já que não há agências bancárias na cidade. O município tem pouco mais de 4 mil habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo Aline Roberia, gerente da regional do Sertão, a cooperativa tem um papel fundamental no dia a dia da população de Prata. “A gente tem um fator que eu considero muito relevante: a nossa forma de atuação. Por sermos a única instituição financeira, por ser uma cidade pequena e por ter o que a gente tanto preza, que é a questão do relacionamento, eu diria que a população tem uma certa afeição pela cooperativa”, avalia. 

Na contramão dos maiores bancos do país — que já fecharam 2.080 agências desde o início da pandemia —, as cooperativas de crédito pretendem expandir o atendimento à população. Das 1,3 mil agências que o segmento deve abrir em 2022, cerca de 45% serão nas regiões mais pobres do país. Segundo levantamento do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), há intenção de abertura de 349 unidades no Norte e 240 pontos no Nordeste. 

A projeção é de que a rede de cooperativas de crédito chegue a 8.800 pontos de atendimento em todo o Brasil. Em 600 municípios, o segmento será a única forma de inclusão e acesso dos moradores aos serviços bancários. O Sicoob Pernambuco é um dos sistemas cooperativos que pretende aumentar a rede de atendimento. Segundo Aline, a projeção é que 12 novas unidades sejam abertas nos municípios que estão sob sua área de atuação. 

Embora Prata seja uma cidade de pequeno porte, a assistência à população é ampla, garante Aline. O público-alvo do serviço inclui os funcionários públicos, os comerciantes e, também, os pequenos produtores rurais do município. A presença da cooperativa, diz a gerente, movimenta a economia local. “A gente aplica, hoje, na cidade de Prata quase R$ 3,5 milhões em operações de crédito”, diz. 

Dados da própria instituição apontam que são 1.115 associados, o que significa 26% da população da cidade. Quando se leva em conta a população economicamente ativa, o percentual chega a 63%. Para ter acesso a essa carteira de serviços e produtos, é necessário ser sócio da cooperativa, o que é possível com apenas R$ 1. 

José Damião é um dos associados da cooperativa. Com a crise econômica, o pequeno produtor rural precisou recorrer a uma linha de crédito junto à instituição. “Foi essencial, o melhor pra mim. Se não fosse esse financiamento, eu não teria escapado, estava morto. A crise é pesada. Foi uma mão na roda”, conta. 

Com o financiamento, José Damião compra bois e, depois do tempo de engorda, vende o gado para abate. É daí que ele tira o dinheiro para manter os três filhos e pagar as parcelas do empréstimo. “Não sei nem como agradecer. Uso para sustento próprio e da minha família. Compro o gado e do lucro vou sobrevivendo. Eu pago e ainda sobra uma coisinha”, diz. 

Acesso ao crédito puxa melhora financeira das pequenas indústrias brasileiras no terceiro trimestre

Brasil pode perder R$ 8,2 bi do PIB em 2021, devido à alta do preço da energia elétrica

Emprego

Cada unidade aberta gera, em média, dez empregos diretos, entre atendentes, caixas e gerentes. Isso significa que a inauguração de 1,3 mil agências deve gerar cerca de 13 mil postos de trabalho. Atualmente, as cooperativas de crédito são responsáveis por 71,7 mil empregos diretos. No entanto, Spenthof ressalta que o impacto gerado pela expansão do cooperativismo de crédito será ainda maior. 

“O mais importante não são nem os empregos diretos gerados pelas cooperativas de crédito. São os empregos que elas geram frutos dos empréstimos ou financiamentos que elas concedem aos seus associados e à comunidade. Com esses empréstimos se gera produção, produção gera riqueza, e a riqueza gera empregos. Todas essas ações levam a um desenvolvimento maior das regiões onde as cooperativas estão presentes”, afirma João Carlos Spenthof, presidente do FGCoop. 

Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que a cada R$ 35,8 mil emprestados por essas instituições, uma vaga de emprego é criada. Além disso, cada R$ 1 de crédito concedido gera R$ 2,45 na economia. 

Expansão

De acordo com o Banco Central, 2.427 cidades brasileiras não tinham agência bancária em agosto deste ano, o que representa 43,4% dos municípios. Desde o início da pandemia da Covid-19, o número de municípios desassistidos pelos bancos cresceu. Diante deste cenário, as cooperativas de crédito ganham destaque, pois permitem que a população dessas cidades tenha acesso aos seus produtos e serviços financeiros, como conta corrente, poupança, cartão de crédito, e financiamentos. 

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06/12/2021 03:00h

De acordo com o levantamento, essa melhora está associada a iniciativas que facilitaram o acesso ao crédito para esses negócios, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe)

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O indicador que mede a situação financeira das micro e pequenas indústrias brasileiras cresceu 0,3 pontos no terceiro trimestre, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nos três meses anteriores (abril, maio e junho), o índice chegou a 42,3 pontos, ante 42,6, pontos alcançados no período que se encerrou em setembro. 

De acordo com o levantamento, essa melhora está associada a iniciativas que facilitaram o acesso ao crédito para esses negócios, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). O programa é o que oferece empréstimos a juros mais baixos e com prazos extensos para o pagamento. 

Criado em 2020 para ajudar as MPEs a enfrentar a crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, o Pronampe concedeu mais de R$ 37,5 bilhões em linhas de crédito para cerca de 517 mil empreendedores no ano passado. Este ano, com a persistência da crise sanitária e econômica, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que tornou o programa uma política pública definitiva. 

O senador Flávio Arns (Podemos/PR) destaca que o Senado aprovou uma série de medidas de auxílio às micro e pequenas empresas, como o projeto que suspende a inscrição de dívidas desses negócios no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) durante a pandemia, mas que o Pronampe é o carro-chefe responsável pela melhora financeira dos negócios de pequeno porte. 

“Um dos fatores decisivos para a melhora da situação financeira das micro e pequenas empresas foi, sem dúvida, a facilitação do acesso ao crédito proporcionada pelo Pronampe. Trata-se de um programa destinado ao desenvolvimento e ao fortalecimento dos pequenos negócios, que concede linha de crédito para empréstimos em condições mais vantajosas”, afirmou. 

Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que, no começo da pandemia, o governo teve dificuldades para ampliar o acesso ao crédito para os micro e pequenos negócios no volume necessário, o que resultou no fechamento de empresas. No entanto, ele afirma que o quadro melhorou. 

“O mercado está mais aberto para quem permaneceu no ramo, existe mais espaço, as condições de crédito melhoraram e, na medida que o processo de vacinação vá avançando, você também tem a volta da normalidade econômica. Tudo isso está resultando no conjunto dessas empresas que sobraram do período da pandemia  uma melhora das condições econômicas”, argumenta. 

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Indicadores

Além do índice de situação financeira, os demais indicadores que compõem o panorama da pequena indústria melhoraram no terceiro trimestre. O indicador de desempenho, por exemplo, chegou a 48,3 pontos, contra 46,5 pontos no segundo trimestre. Já os de confiança e perspectivas permaneceram acima dos 50 pontos, o que indica otimismo entre os donos de micro e pequenas empresas.

Os empresários, sobretudo dos segmentos de transformação e construção, apontam que a falta e o alto custo de matéria-prima são os principais problemas que enfrentam há cinco trimestres, ou seja, um ano e três meses. As micro e pequenas indústrias também apontam desafios internos à retomada econômica, como a elevada carga tributária e a falta ou alto custo de energia. 

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03/12/2021 04:00h

Empreendedores de micro e pequeno porte tiveram menos acesso ao crédito na recuperação da pandemia, em comparação com grandes negócios

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O presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 14.257/21 que cria o Programa de Estímulo ao Crédito. A medida é direcionada a microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas e produtores rurais, com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões.

Se a empresa abriu em 2020 ou 2021, o limite do valor da receita bruta anual será proporcional aos meses em que esteve em funcionamento, respectivamente a cada ano. 

O programa será operacionalizado por bancos e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, com exceção das cooperativas de crédito e administradoras de consórcios. 

O governo espera que o programa estimule até R$ 48 bilhões em novos créditos para os empreendedores de micro e pequeno porte, que foram os mais afetados durante a pandemia.

João Silva é farmacêutico em Santo André, no ABC paulista. Ele conta que, mesmo funcionando durante toda a pandemia, sentiu os impactos financeiros do período.

“A gente via todos os comércios do lado fechado. Era muito triste ver as pessoas desesperadas, que não tinham uma estratégia. E tudo que o governo fizer para ajudar o comerciante será bem-vindo.”

O deputado Alexis Fonteyne (NOVO-SP) afirma que as pequenas empresas não tiveram as mesmas chances de se recuperar da pandemia, como os grandes negócios.

“Quando foram ver o perfil dos empréstimos, eram das grandes empresas, que já  tinham linhas de subsídio, até porque elas têm muitas garantias. O grande problema está nas pequenas e microempresas, que têm garantias mais fracas, que têm mais dificuldade em poder se articular com o banco. Então foi um projeto acertado do governo, importante para manter as empresas de pé e gerar emprego.”

Papel das micro e pequenas empresas

Segundo pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), elas representam 98,5% das empresas privadas do país, além de serem responsáveis por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 50% dos trabalhos formais.

O especialista em direito empresarial Filipe Denki destaca outra importância das empresas de micro e pequeno porte: a regionalização da economia. 

“As grandes empresas estão localizadas em pequenos eixos, em pequenas e poucas cidades. E a micro e pequena empresa tem esse papel de regionalizar e interiorizar a economia, levando a economia para todas as partes do país.”

Ele comenta que a categoria foi negativamente impactada durante a pandemia. “Um dos motivos pelo qual elas sofreram com os efeitos da pandemia é em função do seu fluxo de caixa; ela não tem capacidade para operar e ter uma redução abrupta do seu faturamento por um período prolongado. Existem pesquisas que falam que a empresa consegue ficar sem operar em torno de aproximadamente 25 dias.”

Projeto beneficia empresas de micro e pequeno porte, que representam 94% do setor produtivo do ES

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“Com a medida provisória 1057/2021, há uma expectativa de injeção de crédito na casa de 48 bilhões; e as pequenas e micro e pequenas empresas poderão utilizar esse crédito para pagamento de fornecedores e empregados”, acrescenta Filipe Denki.

Antes de ser sancionada, a lei foi aprovada pelo Congresso Nacional como Medida Provisória e tinha até 1º de dezembro para ser validada pelo presidente da República.

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03/12/2021 03:00h

Lei que cria o programa foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana

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O Programa de Estímulo ao Crédito poderá beneficiar quase 800 mil micro e pequenas empresas de Santa Catarina. A lei que cria o programa (Lei 14.257/21, antiga MP 1057/21) foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta semana.

O programa é direcionado a microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas e produtores rurais, com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões, e será operacionalizado por bancos e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, com exceção das cooperativas de crédito e administradoras de consórcios. 

O governo espera que o programa estimule até R$ 48 bilhões em novos créditos para os empreendedores de micro e pequeno porte, que foram os mais afetados durante a pandemia.

O deputado Celso Maldaner (MDB-SC) ressalta a importância do Programa de Estímulo ao Crédito para as empresas de micro e pequeno porte, que são as maiores responsáveis pela geração de emprego no país.

“A MP 1057 é muito importante para o setor de microempreendedores,  principalmente porque é quem mais gera emprego nesse país. Isso tem que ser tornar uma política de estado, não só política de governo, porque é fundamental incentivar os pequenos investidores, que têm iniciativa própria para começar pequenos estabelecimentos.”

Papel das micro e pequenas empresas

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os empreendimentos dessa categoria representam 98,5% das empresas privadas do país, além de serem responsáveis por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 50% dos trabalhos formais.

O especialista em direito empresarial Filipe Denki destaca outra relevância das empresas de micro e pequeno porte: a regionalização da economia. 

“As grandes empresas estão localizadas em pequenos eixos, em pequenas e poucas cidades. E a micro e pequena empresa tem esse papel de regionalizar e interiorizar a economia, levando a economia para todas as partes do país.”

Ele comenta que a categoria foi negativamente impactada durante a pandemia. “Um dos motivos pelo qual elas sofreram com os efeitos da pandemia é em função do seu fluxo de caixa; ela não tem capacidade para operar e ter uma redução abrupta do seu faturamento por um período prolongado. Existem pesquisas que falam que a empresa consegue ficar sem operar em torno de aproximadamente 25 dias.”

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“Com a medida provisória 1057/2021, há uma expectativa de injeção de crédito na casa de 48 bilhões; e as pequenas e micro e pequenas empresas poderão utilizar esse crédito para pagamento de fornecedores e empregados”, acrescenta Filipe Denki.

Antes de ser sancionada, a lei foi aprovada pelo Congresso Nacional como Medida Provisória e tinha até 1º de dezembro para ser validada pelo presidente da República.

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Mutirão da Negociação de Dívidas e Orientação Financeira tem, ainda, foco na educação sobre finanças. Portal com dicas será lançado nesta quarta-feira (3)

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Pessoas físicas com dívidas em atraso com instituições financeiras têm agora no mês de novembro uma oportunidade de cuidar da saúde do bolso. O Banco Central, a Febraban, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Senado Federal iniciaram hoje (1º) o Mutirão da Negociação de Dívidas e Orientação Financeira. A iniciativa, que vai até o dia 30, também tem foco na educação, de modo a mostrar ao brasileiro as melhores formas de fugir do endividamento.

A particularidade desta campanha é que o pretendente à renegociação é orientado em cada um dos passos, tudo por meio de um único site do Mutirão. Antes de enviar a proposta de negociação à plataforma consumidor.gov.br, o devedor terá acesso a todas as informações necessárias, como o quanto é vantajoso renegociar e quanto do orçamento será comprometido na ação. O site também dá acesso ao Registrato, ferramenta do Banco Central pela qual é possível acessar todas as dívidas em seu nome junto às instituições financeiras.

Vale lembrar que a renegociação é direcionada a pessoas físicas com dívidas em atraso cujas modalidades não contemplem bens dados em garantia do empréstimo (tais como financiamento de carro ou imobiliário), ou seja, dívidas de pessoas naturais, em atraso, com bancos ou financeiras e sem garantia. São dívidas como, por exemplo, cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal.

Passo a passo

Para iniciar a negociação de uma dívida, o devedor deve realizar o registro na plataforma consumidor.gov.br. Lá ele escolhe a instituição com a qual deseja negociar a dívida, relata o problema e fornece o máximo de informações que puder. O banco tem prazo de até 10 dias para analisar a solicitação e apresentar uma proposta.

Amaury Oliva, diretor de Cidadania Financeira da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), explica que os devedores podem se reorganizar financeiramente de diversas formas junto às instituições financeiras. “O consumidor tem várias vantagens para participar do Mutirão de Negociação e Orientação Financeira. Ele pode renegociar suas dívidas em atraso, pode buscar uma nova pactuação, parcelamento da dívida e até juros menores.”

O diretor da Febraban também ressalta a importância da preparação prévia oferecida pela plataforma do Mutirão. “O consumidor que tiver interesse em negociar suas dívidas em atraso pode acessar a página eletrônica mutirão.febraban.org.br e ter acesso a conteúdo exclusivo de orientação financeira, dicas de como trocar uma dívida mais cara por uma mais barata, como fazer o seu orçamento doméstico e como calcular aquelas despesas e o saldo que pode ser renegociado para dívidas”, enumera. 

“Depois disso, nessa página, o consumidor é redirecionado para plataforma do Ministério da Justiça, da Senacon, onde mais de 160 instituições financeiras estão prontas para receber os pedidos dos consumidores.”

Educação financeira

A iniciativa, além de renegociar as dívidas, também contribui para a saúde financeira do consumidor, já que oferece uma série de informações, dicas e conteúdos para que o consumidor possa ter mais equilíbrio e um uso mais saudável do crédito. Por isso, será lançada, nesta quarta-feira (3), a plataforma de educação financeira Meu Bolso em Dia. Além de Amaury Oliva, estarão presentes no lançamento o presidente da Febraban, Isaac Sidney, o diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Maurício Moura, e o chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central, Luís Gustavo Mansur Siqueira.

A ferramenta é gratuita e permite ao usuário diagnosticar sua saúde financeira, por meio de trilhas de aprendizagem personalizadas, para que ele possa adotar estratégias para melhorar sua saúde financeira.

Desenvolvida em cooperação técnica com o BC e apoio dos bancos, membros do Sistema Financeiro Nacional e acadêmicos, a nova plataforma utiliza inteligência artificial para levar conteúdo em linguagem simples e didática ao usuário.

O economista César Bergo, presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, explica que a educação financeira é uma das prioridades do Banco Central e mesmo ela sendo importante, nunca foi tão necessária. “O Banco Central vem conduzindo essa matéria há bastante tempo. Inclusive tem um grupo permanente de educação financeira junto com várias instituições. E agora, obviamente, tem esse aspecto da taxa de juros, que vem subindo, e isso pode, de alguma forma, criar problemas para as famílias”, aponta.

Segundo Bergo, tudo diz respeito ao planejamento, algo que o consumidor só aprende a fazer quando se atenta a campanhas como esta. “Essa educação financeira ensina a pessoa a planejar, economizar, entender a diferença entre investimento e poupança. E a partir daí, ela vai fazer um uma regra de colocar um percentual para emergência, que é algo que ninguém faz e depois acaba recorrendo a cartão de crédito e cheque especial, uma bola de neve de juros que pega a pessoa e ela não consegue sair.”

O economista enfatiza que o planejamento, para aqueles que estão aprendendo agora, já pode começar neste final de ano. “A educação financeira é importante e fundamental para que a pessoa aprenda a gastar menos do que recebe e aproveitar certas situações para melhorar a ‘saúde do bolso’. É preciso ficar de olho no orçamento. Agora, por exemplo, tem o 13º salário no final do ano, uma oportunidade para essas pessoas arrumarem a casa”, ensina.

Mesmo com a possibilidade de quitar as dívidas por meio do Mutirão, Bergo explica que nem toda renegociação é vantajosa e o consumidor deve ficar atento ao que lhe é oferecido. “A taxa Selic hoje está acima de 7,5% e a tendência é que chegue a 9,5% em dezembro. Ou seja, quem fez empréstimo há dois anos, quando a taxa estava em 2%, precisa ter cuidado com a situação atual”, alerta o economista, que ressalta: “Mais uma questão que é foco dessa campanha, a orientação. Ela é fundamental porque vai ensinar as pessoas a analisarem melhor o pacote dessas propostas, os benefícios, se os juros oferecidos agora são mesmo menores.”

Dicas para cuidar do bolso

A plataforma Meu Bolso em Dia tem o passo a passo para a educação financeira , principalmente por suas ferramentas de personalização. Mas o economista César Bergo destaca uma entre todas as dicas: saber com o que gastar.

“O principal é não fazer compra por impulso. Existe o endividamento bom e ruim. O bom é aquele em que você adquire um bem que se paga com o decorrer do tempo e o ruim é aquele gasto desnecessário, como uma viagem, que a pessoa financia e depois passa muito tempo se lamentando pela dívida”, explica.

Segundo o economista, a educação promovida pela plataforma também é crucial para que as pessoas entendam a importância de ter o “nome limpo” na praça. Sem isso, muitas vezes é impossível alugar um imóvel, financiar novos bens e ter menor restrição nas parcelas de qualquer compra. “Sem falar na saúde emocional e no bem-estar do consumidor”, finaliza.

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Economia
05/10/2021 03:00h

Deputado federal Alexis Fonteyne (Novo/SP) acredita que aumento do consumo foi determinante para crescimento da pequena indústria no segundo trimestre

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A indústria de Piracicaba mantém a trajetória de crescimento em 2021. Entre julho e agosto, mais de 60% das exportações do município foram de maquinários agrícolas. Além disso, os empresários locais importaram produtos como reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, o que indica investimento no desenvolvimento industrial. Os dados são da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (ACIPI).
 
O mesmo se observa nos micro e pequenos negócios, afirmam empresários e entidades locais. A nível nacional, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as micro e pequenas empresas do setor industrial tiveram um segundo trimestre bem melhor do que o primeiro em 2021. Os indicadores que medem a situação financeira, o desempenho, a confiança e as perspectivas dos empresários aumentaram de abril a junho na comparação com o período entre janeiro e março. 
 
Para o deputado Alexis Fonteyne (Novo/SP), a melhora das pequenas indústrias é consequência do aumento do consumo pela população, impulsionada, por exemplo, pela continuidade do auxílio emergencial. “Elas [as pequenas indústrias] vêm a reboque das grandes indústrias. As demandas que estavam reprimidas estão sendo atendidas. Há, inclusive, uma grande escassez e uma dificuldade para conseguir matérias-primas no mercado, e isso significa que o consumo está mais alto, que está tendo atividade e, portanto, as pequenas indústrias também estão dando os seus retornos aí”, destaca.

Euclides Baraldi Libardi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) vai na mesma linha e destaca a melhora dos números em contraste com problemas na cadeia de produção.

“Houve um crescimento e temos expectativa de continuar nesse ritmo, mas também houve algumas dificuldades, como a falta de matéria-prima. O crescimento poderia, inclusive, ser melhor até. Havia uma demanda reprimida. Essa demanda voltou, os pedidos voltaram, mas eles enfrentam essa dificuldade de matéria-prima”, ressalta.

Crescimento: pequenas indústrias de Minas Gerais comemoram segundo trimestre positivo

Indicadores da pequena indústria apresentam resultados positivos no segundo trimestre

Pronampe permanente facilitou acesso ao crédito e ajudou pequena indústria a crescer no segundo trimestre

Melhora

O Índice de Situação Financeira dos pequenos negócios, por exemplo, encerrou o segundo trimestre com 42,3 pontos. O resultado é 4,5 pontos percentuais acima do que foi registrado nos três primeiros meses do ano e, de acordo com a pesquisa, é consequência da maior produção e faturamento dessas empresas.
 
Dono de uma pequena empresa que fabrica telas e filtros para indústrias de papel e celulose, Rami Yehia conta que, apesar das dificuldades, o negócio cresceu 12% em 2020, pois novos mercados se abriram com a chegada da pandemia. No entanto, ele destaca que este ano tem sido ainda mais positivo.
 
“A vacinação abrangeu uma quantidade maior de pessoas. Isso deu tranquilidade para a população sair um pouco de casa, houve uma melhora e no nosso negócio não foi diferente. O mercado é grande e também cresceu bastante, sobretudo neste segundo trimestre. Tivemos um crescimento em torno de 3% a 4% no segundo trimestre em comparação com o primeiro trimestre. Estou numa curva ascendente dentro do meu segmento”, comemora.

Perspectivas

Os empresários industriais de pequeno porte estão confiantes. O indicador que mede o otimismo dos empreendedores encerrou o segundo trimestre em 60 pontos. O resultado é bem acima da média histórica, que é de 52,5 pontos. Para o economista William Baghdassarian, o avanço da imunização contra a Covid-19 é um dos sinais que a sociedade precisa para voltar a viajar, consumir e gerar emprego novamente. 
 
“À medida que os números da vacinação vão subindo e grande parte da população foi vacinada, essa incerteza diminui, a confiança do empresário aumenta, ele investe mais, ele gera mais renda, o comerciante compra mais para vender mais”, destaca o especialista. 
 
Rami diz que as expectativas para o segundo semestre são as melhores, não apenas para a sua empresa, mas também para todos os atores da atividade produtiva. “A gente tem uma perspectiva de realmente melhorar não só o nosso negócio como todos ao redor, porque é uma cadeia. Quando você tem consumo, você também produz para as empresas de consumo. Eu estou com uma perspectiva de terminar o ano de 2021 com uma condição muito melhor do que nós começamos”, afirma.

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Brasil 61