Fertilizantes

10/05/2022 00:06h

Segundo a Anda, o Brasil é o 4º maior consumidor mundial de fertilizantes, dos quais o potássio é o principal nutriente utilizado pelos produtores brasileiros (38%).

O Governo Federal lançou, em março de 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que tem como objetivo principal reduzir a dependência das importações dos insumos que são essenciais para o desenvolvimento da agricultura brasileira.

Atualmente, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país, em um mercado dominado por poucos fornecedores. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) tem como meta planejar o setor até 2050 e desenvolver o agronegócio nacional, com foco nos principais elos da cadeia: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental.

O PNF começou a ser elaborado em 2021 e foi formalizado por Decreto em 11 de março. O documento cria ainda o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas, órgão consultivo e deliberativo que coordena e acompanha a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes.

Segundo a Anda, o Brasil é o 4º maior consumidor mundial de fertilizantes, dos quais o potássio é o principal nutriente utilizado pelos produtores brasileiros (38%), seguido pelo fósforo, com 33% do consumo total de fertilizantes, e o nitrogênio, com 29%. Dentre as culturas que mais demandam o uso de fertilizantes (NPK) estão a soja, o milho e a cana-de-açúcar, somando mais de 73% do consumo nacional. 

A implantação das ações do PNF poderá minimizar a dependência externa desses nutrientes importados principalmente da Rússia, China, Canadá, Marrocos e Belarus. Estados Unidos, Catar, Israel, Egito e Alemanha completam a lista dos dez maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil em 2021, de acordo com dados do Ministério da Economia. 

Leia o artigo completo na edição 419 de Brasil Mineral

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06/05/2022 18:38h

A comitiva brasileira vai se encontrar com empresas públicas e privadas. Além de fertilizantes, haverá negociação por maior investimento no Brasil

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Uma comitiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já está na Jordânia. O país do Oriente Médio é a primeira parada dos brasileiros em busca de fertilizantes. A comitiva, liderada pelo ministro da Pasta, Marcos Montes, vai também ao Egito e ao Marrocos nos próximos dias. 

Até o próximo dia 14, os brasileiros terão encontros com representantes de empresas estatais e privadas. Segundo o MAPA, nas reuniões, além de negociar fertilizantes, a comitiva também vai tentar ampliar os investimentos de empresas internacionais no Brasil.  

Na Jordânia, a negociação será por fornecimento de fertilizantes à base de potássio. No Egito, o foco serão os fertilizantes nitrogenados e no Marrocos, os fosfatados. “Também vamos aproveitar a viagem para consolidar os nossos produtos agropecuários nesses três países, por isso, acredito que a viagem terá sucesso e voltaremos, se Deus quiser, com bons resultados”, disse o ministro Marcos Montes em um vídeo publicado em suas redes sociais. 

A agenda do ministro na Jordânia, começa neste sábado (7), e prevê reuniões com diretorias de importantes empresas produtoras de potássio, como a Arab Potash Company (APC), que produz mais de 2,4 milhões de toneladas por ano, e a Jordan Phosphate Mining Company (JPMC), com capacidade de produção superior a 7 milhões de toneladas ao ano. Também estão previstas reuniões com o ministro da Agricultura da Jordânia, Khaled Musa Henefat, e com o ministro da Indústria, Comércio e Abastecimento, Youssef Al-Shamal.
 
Na segunda-feira (9), a agenda será na capital do Egito, Cairo. A previsão é que o ministro brasileiro se reúna com o vice-ministro da Agricultura egípcio, Moustafa El Sayeed, e com o ministro do Abastecimento, Aly Al Moselhy. A delegação vai participar também do Fórum Brasil – Egito: Oportunidades no comércio bilateral. O evento é promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasil.  Reuniões com representantes do setor de fertilizantes e de proteína animal também estão previstas. 

A comitiva chega ao Marrocos na próxima quinta-feira, dia 12 de maio. Está previsto um encontro com o Ministro da Agricultura do país, Mohammed Sadiki, além de uma visita à usina de Jorf Lasfar  da Companhia Office Chérifien des Phosphates (OCP). A empresa estatal é atualmente a maior fornecedora de fósforo para o Brasil. Marrocos é o segundo maior produtor mundial de fertilizantes fosfatados, responsável por cerca de 17 % da produção global. Em 2021, o Brasil importou mais de US$ 1,6 bilhão em fertilizantes do Marrocos.

Desde o começo da guerra entre Rússia e Ucrânia, a distribuição de fertilizante por parte dos russos, que são os maiores exportadores do produto no mundo, passou a ser uma preocupação: 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm da Rússia. Entretanto, na última semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), afirmou que cerca de 30 navios carregados de fertilizante estavam vindo da Rússia a caminho do Brasil. Segundo o chefe do executivo, o envio é resultado da viagem que fez em fevereiro, uma semana antes da guerra, ao país de Vladimir Putin.

POTÁSSIO: Falta investimento para Brasil ser autossuficiente

POTÁSSIO: Brasil pode passar de dependência de importação à potência produtora mundial

Plano Nacional de Fertilizantes

Em março, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). A estratégia é reduzir a dependência do Brasil das importações de fertilizantes, mas o documento não surgiu diante da crise instalada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, já que começou a ser elaborado em 2021 (agora formalizado pelo Decreto 10.991).

O objetivo do PNF é criar um planejamento do setor de fertilizantes para os próximos 28 anos, promovendo o desenvolvimento do agronegócio nacional, com foco nos principais elos da cadeia: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental.

O plano deve trazer equilíbrio entre a produção nacional e a importação, ao atender à crescente demanda por produtos e tecnologias de fertilizantes. O objetivo é chegar a 2050 com a dependência de apenas 45% de importação de fertilizantes.

Segundo a ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, informou, na época, não se trata de o país alcançar a autossuficiência, mas, sim, uma menor dependência externa dos fertilizantes. "Não estamos buscando a autossuficiência, mas sim, a capacidade de superar desafios e manter nossa maior riqueza, o agronegócio, pujante e competitivo, que faz a segurança alimentar do brasil e do mundo. Nossa demanda por nutrientes para as plantas é proporcional à grandeza de nossa agricultura. Mas teremos nossa dependência externa bastante reduzida", disse a então ministra no Palácio do Planalto, no dia do lançamento.

Paulo Afonso Romano,  diretor de Infraestrutura Geocientífica do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o Serviço, a Agência Nacional de Mineração e a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo já estavam de olho na questão muito antes de a crise dos fertilizantes, e que já há ciência de que a mineração do potássio é uma questão de extrema importância à economia brasileira.

“O Plano Nacional de Fertilizantes, que ajudamos diretamente na concepção, nasceu não em função de nenhuma dessas crises, nasceu em função da vulnerabilidade e da visão estratégica de governo de que não podemos ser líderes na exportação de alimentos e tão dependentes de importação de fertilizantes. Por esta razão, esse plano nasceu na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nós estamos trabalhando nele há um ano”, conta o diretor da CPRM.

O PNF tem, ao todo, 80 metas a serem atingidas até 2050, entre elas estimular o uso de técnicas inovadoras. Além disso, apresenta oportunidades em relação a produtos emergentes que podem substituir o potássio, como os remineralizadores, ou pó de rocha, como explica Paulo Afonso. “Hoje o conceito está muito mais amplo. Temos os fertilizantes naturais, de rocha moída, conhecido como pó de rocha, são muito mais preparadores da condição de solo para melhorar a utilização de todos os elementos disponíveis no solo. É uma abordagem diferente. Chamamos de remineralizador de solo, que é uma cadeira emergente no Brasil. Estamos falando de crise e abordagem estratégicas para dar início a novas alternativas”, pontua o diretor do CPRM.

Além disso, o PNF aponta para soluções em outras alternativas, como os fertilizantes organominerais e orgânicos (adubos orgânicos enriquecidos com minerais) e os subprodutos com potencial de uso agrícola, os bioinsumos e biomoléculas. Eles fazem parte de um plano B, já que a intensificação da mineração do potássio nas jazidas brasileiras conhecidas demanda alguns anos de preparação e investimento. Na melhor das hipóteses, se não houver nenhum embaraço e a exploração de potássio na Amazônia começar em breve, teremos resultados apenas a partir de 2025. E o trabalho por lá, segundo o CPRM, começou por volta de 2009. 

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05/05/2022 11:45h

A área ocupada no Distrito Industrial Prefeito Cyro Martins chegará a 25 mil m2.

Especializada na produção de fertilizantes especiais, adjuvantes e inoculantes, a empresa brasileira Agrocete está investindo R$ 90 milhões (maior investimento da história) na ampliação do parque fabril em Ponta Grossa (PR). As plantas de adjuvantes e fertilizantes especiais, além da planta de inoculantes, que é considerada uma das maiores do mundo, devem ser contempladas com investimento em tecnologia e inovação, com o objetivo de dobrar sua capacidade produtiva. 

Além da expansão da capacidade das plantas, a Agrocete também prepara o lançamento de dois novos produtos nos mercados doméstico e internacional. Os investimentos em automação e robótica serão fundamentais para que a empresa sustente seu crescimento e lance novidades no mercado agrícola. “Vamos investir em automação e robótica para modernizar nosso parque fabril. É esse investimento que vai elevar a produção, aumentando em 100% a capacidade. Na área de fertilizantes foliares, para o tratamento de sementes e adjuvantes, devemos dobrar a produção, e em biológicos, entre estes os biofertilizantes, devemos aumentar entre 10 e 15%”, reforça Guilherme de Figueiredo, Diretor Comercial da Agrocete.

A estrutura física da empresa também será ampliada em quase 50%. A área ocupada no Distrito Industrial Prefeito Cyro Martins chegará a 25 mil m2. Os investimentos incluem a contratação de novos funcionários. Até o final de 2025, o quadro deverá ser ampliado em mais de 66%, passando dos atuais 300 para 500 colaboradores. “Investimos muito em capacitação porque acreditamos que nossos colaboradores sejam nosso maior patrimônio. Criamos, inclusive, a Academia Agrocete para capacitar todos os setores da empresa”, revela Guilherme.

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17/04/2022 21:46h

Em entrevista ao Brasil61.com, presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Esteves Colnago, fala da possibilidade de o Brasil se tornar um dos players mundiais do minério essencial na fabricação de fertilizantes

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A entrevista desta semana do Brasil61.com é com Esteves Colnago, diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia. Colnago fala sobre os planos do Brasil para diminuir a dependência de importação do potássio, peça chave na agricultura nacional.

Colnago também fala sobre a possibilidade de mineração em terras indígenas, o que pode transformar o Brasil em uma das maiores potências mundiais do minério, e sobre a importância de se discutir o assunto, que é estratégico para a economia nacional.

Confira a entrevista:

Levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que o potencial brasileiro em potássio seria de 2,9 bilhões de toneladas, mas só produzimos 550 mil toneladas por ano. Essa necessidade por uma produção maior do minério, que inclusive rendeu no Plano Nacional de Fertilizantes, surgiu agora, com a crise dos fertilizantes ocasionada pela guerra entre Ucrânia e Rússia, que é um dos maiores fornecedores do Brasil, ou é uma questão que já está no radar há mais tempo?

Esteves Colnago, presidente do CPRM
“O que está acontecendo não é resultado de um trabalho que fizemos agora. O Serviço Geológico do Brasil tem permanente atenção no que diz respeito à busca de minerais estratégicos para o País. Aquilo que está sendo veiculado agora no que diz respeito ao potássio é resultado de um trabalho que vem de anos atrás. Nos últimos tempos conseguimos uma intensificação na busca do fertilizantes na Amazônia, porque já tínhamos evidências disso. Como estamos com trabalho intensificado na busca por fosfatos.”

A exploração do potássio na Amazônia esbarra na questão da proibição de se minerar em terras indígenas, algo que aliás será discutido este mês no Congresso Nacional. Muitas entidades são contra a mudança da lei. É possível aproveitar essa enorme jazida na Amazônia e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente? Outros países que mineram o potássio também enfrentam problemas semelhantes?

Esteves Colnago: “O que existe no momento é uma sequência de mal entendimentos de como o processo pode se desenrolar, mas estamos com a consciência tranquila de vão se encontrar alternativas para viabilizar a exploração desses recursos naturais que o Brasil tem e que estão hoje em reservas que são protegidas de explorações minerais. Não estaremos inventando a roda. Hoje, países como Canadá e Austrália, que também têm situações de ocupações indígenas em seus territórios, exercem mineração sem nenhum problema, articulados e conversando com as comunidades indígenas”.

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração, Sergipe, Amazonas, Minas Gerais e São Paulo possuem as principais jazidas de potássio. Além dessa reserva na região amazônica, onde a exploração é polêmica, é possível encontrar outras fontes desse minério tão importante para a agricultura? E com essas novas fontes, o Brasil deixa de ser dependente de importação para se tornar uma potência no setor?

Esteves Colnago: “Nós temos um foco muito grande nessa área de fertilizante. E estamos indo também para nossa costa, para o mar, lá também existem reservas importantes de fertilizantes. Estamos focando também na costa brasileira para poder identificar oportunidades de fertilizantes. Nós queremos nos tornar um player. Nós temos a oportunidade. O nosso trabalho é buscar isso”.

A crise dos fertilizantes abriu toda essa discussão em torno da necessidade de o Brasil aproveitar melhor a produção interna de potássio. Todas essas discussões, mesmo que algumas polêmicas, como a exploração em terras indígenas, trazem algum benefício para a mineração nacional?Esteves Colnago: “O debate sobre o assunto está abrindo o olho da sociedade para isso. A sociedade está começando a entender. É uma movimentação da sociedade em função da situação que está hoje colocada. A dependência do Brasil da importação de fertilizantes gerou um debate nacional e está mobilizando a sociedade. A sociedade brasileira tem de participar ativamente desse processo, mas não é fácil”.


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08/04/2022 13:57h

Segundo professor, o futuro também passa pelo desenvolvimento de processos para melhor aproveitamento dos fertilizantes potássicos de rochas silicáticas

Segundo o doutor e prof. de Engenharia Química do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Efraim Cekinski, os principais nutrientes importados para a agricultura brasileira são o nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O). Entretanto, a taxa de importação para esses três nutrientes é diferente.

“O Brasil importa cerca de 75% de nitrogênio, 55% de fósforo e surpreendentes 95% de potássio. Metade do potássio importado vem da Rússia e de Belarus. Além disso, importamos também da Rússia 15% dos fertilizantes fosfatados e 20% dos fertilizantes nitrogenados”, explica o engenheiro.

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Atualmente, o Brasil consome perto de 45 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, o que coloca o País como quarto maior consumidor, atrás apenas de Estados Unidos, Índia e China. A grande diferença entre o Brasil e os demais grandes consumidores é que, aqui, 85% do consumo são importados, e esses outros países produzem a maior parte do que consomem. 

As reservas oficiais brasileiras de fosfato são da ordem de 5,2 bilhões de toneladas, correspondentes a 460 milhões de toneladas de P2O5 contido, porém a reserva lavrável é de 2,9 bilhões de toneladas, o que compreende 317 milhões de toneladas de P2O5 contido.

“O Brasil explora potássio atualmente em Sergipe, em uma mina relativamente pequena; possui 2,3 milhões de toneladas de K2O, se comparada com as grandes reservas do Canadá e da Rússia, por exemplo. Existe uma jazida conhecida no Estado do Amazonas, a uns 100 km de Manaus (Reserva de Autazes) que contém 800 milhões de toneladas de potássio. A questão é que a exploração dessa reserva traz muitos problemas ambientais. Desde a década de 1980, a Petrobras tenta explorar essa reserva, mas sempre esbarrou nesses problemas”, explica Cekinski.

Outra reserva está em Minas Gerais, porém, diferentemente do potássio de Sergipe e do Amazonas, solúvel e com cerca de 60% de K2O (essa é a forma de mostrar o teor de potássio), as reservas minerais no Sudeste são de potássio insolúvel proveniente de rochas silicáticas, com um teor de cerca de 10% de K2O. Portanto, além desse menor teor inicial, ainda é necessária uma etapa industrial, para transformar esse potássio insolúvel em solúvel.

Cekinski diz que hoje em dia, no setor de fertilizantes nitrogenados, o Brasil utiliza o gás natural como matéria-prima, o que torna viável a produção de amônia e/ou ureia. Existem atualmente quatro fábricas no País, mas o preço do fertilizante está fortemente associado ao preço do gás natural, portanto a evolução da indústria do gás natural ao longo do tempo influenciará a produção de fertilizantes nitrogenados no Brasil.

Outra fonte de nitrogênio, utilizada principalmente na soja, é o nitrogênio do ar, por meio da sua fixação biológica. Isso é feito com a inoculação de micro-organismos na planta. Infelizmente, no estágio atual de desenvolvimento, essa técnica não pode ser utilizada em todas as culturas.

Em relação ao futuro, o professor divide as perspectivas em etapas clássicas e de inovação tecnológica. As etapas clássicas para diminuir a dependência dos fertilizantes referem-se à prospecção de novas reservas de fósforo e potássio e à exploração das reservas conhecidas e ainda não exploradas.  “A inovação nesse setor passa por utilizar a biotecnologia e a nanotecnologia para desenvolver novos produtos, e por processos que podem melhorar a absorção dos nutrientes pelas plantas ou fixar o nitrogênio do ar, pela utilização de fertilizantes orgânicos e organominerais, reciclagem de resíduos das indústrias produtoras de fosfato e pelo desenvolvimento de processos para melhor aproveitamento dos fertilizantes potássicos com origem em rochas silicáticas, entre outros”, conclui o especialista.

 

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03/04/2022 17:46h

Investimentos poderiam acabar com a dependência externa, segundo Serviço Geológico do Brasil - CPRM

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O que falta para o país se destacar na mineração do fertilizante e acabar com a dependência externa é o maior investimento no setor, segundo o Serviço Geológico do Brasil - CPRM. O diretor de Infraestrutura Geocientífica, Paulo Afonso Romano, e o diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil, Esteves Colnago, contam que na década de 1970 o Brasil importava 30% dos alimentos consumidos. “Hoje é o segundo maior exportador, em alguns casos o primeiro”, destaca Paulo. “Tudo por conta da aquisição de tecnologia e investimento ao longo dessas décadas. O mesmo pode ser feito com a mineração, mas isso não se faz da noite para o dia.”

Luis Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), também ressalta que o Brasil poderia investir na mineração o mesmo empenho que fez o país ser uma potência na exportação de alimentos. “Há 40 anos a gente só conhecia o sul do Brasil como área agricultável, as terras roxas. O cerrado era terra inóspita para isso. Amazônia era inóspita. O que a gente fez na agricultura a gente está deixando de fazer na mineração”.

Esteves Colnago explica que o trabalho do CPRM é identificar os pontos onde os minerais estratégicos estão, mas, a partir desse ponto, é preciso uma pesquisa intensa e cara, que depende de uma verba que o Brasil não tem, o que leva à necessidade de uma maior participação da iniciativa privada.

“Exploração mineral a gente não implanta, a gente vai atrás. Nós primeiro temos de identificar a ocorrência. O Serviço Geológico identifica as ocorrências minerais, locais. E aí tem um papel importante que é desempenhado pela iniciativa privada, que nós do governo não fazemos, que é a pesquisa, o aprofundamento do conhecimento daquela ocorrência. E existe carência de recursos para isso. O custo para essas pesquisas é elevadíssimo. Nós não temos tradição no país de ter agentes financiadores desses empreendimentos, e outros países o tem”, conta o diretor-presidente do CPRM.

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Esteves acrescenta que, justamente por esse motivo, as empresas que operam no Brasil são de outros países, como Canadá e Austrália, ou recebem financiamento desses países, que já chegam com know-how e dinheiro necessários para o trabalho. A Potássio do Brasil, que deve fazer a exploração na Amazônia, é brasileira, mas com a captação de recursos do Canadá.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), os fertilizantes são considerados “commodities” nos mercados internacionais. No entanto, não são produtos com pouca tecnologia agregada. Os insumos utilizados na sua produção exigem um grau de sofisticação industrial relativamente alto e são, sobretudo, intensivos em capital e escala – como os petroquímicos (enxofre, ureia, amônia); ou o potássio e o fósforo – que dependem de infraestrutura mineradora. 

Plano Nacional de Fertilizantes

Em março, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). A estratégia é reduzir a dependência do Brasil das importações de fertilizantes, mas o documento não surgiu diante da crise instalada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, já que começou a ser elaborado em 2021 (agora formalizado pelo Decreto 10.991).

O objetivo do PNF é criar um planejamento do setor de fertilizantes para os próximos 28 anos, promovendo o desenvolvimento do agronegócio nacional, com foco nos principais elos da cadeia: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental.

O plano deve trazer equilíbrio entre a produção nacional e a importação, ao atender à crescente demanda por produtos e tecnologias de fertilizantes. O objetivo é chegar a 2050 com a dependência de apenas 45% de importação de fertilizantes.

Segundo a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, não se trata de o país alcançar a autossuficiência, mas, sim, uma menor dependência externa dos fertilizantes. "Não estamos buscando a autossuficiência, mas sim, a capacidade de superar desafios e manter nossa maior riqueza, o agronegócio, pujante e competitivo, que faz a segurança alimentar do brasil e do mundo. Nossa demanda por nutrientes para as plantas é proporcional à grandeza de nossa agricultura. Mas teremos nossa dependência externa bastante reduzida", disse a ministra no Palácio do Planalto, no dia do lançamento.

Paulo Afonso Romano explica que o Serviço Geológico do Brasil, a Agência Nacional de Mineração e a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo já estavam de olho na questão muito antes de a crise dos fertilizantes, e que já há ciência de que a mineração do potássio é uma questão de extrema importância à economia brasileira.

“O Plano Nacional de Fertilizantes, que ajudamos diretamente na concepção, nasceu não em função de nenhuma dessas crises, nasceu em função da vulnerabilidade e da visão estratégica de governo de que não podemos ser líderes na exportação de alimentos e tão dependentes de importação de fertilizantes. Por esta razão, esse plano nasceu na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nós estamos trabalhando nele há um ano”, conta o diretor da CPRM.

O PNF tem, ao todo, 80 metas a serem atingidas até 2050, entre elas estimular o uso de técnicas inovadoras. Além disso, apresenta oportunidades em relação a produtos emergentes que podem substituir o potássio, como os remineralizadores, ou pó de rocha, como explica Paulo Afonso. “Hoje o conceito está muito mais amplo. Temos os fertilizantes naturais, de rocha moída, conhecido como pó de rocha, são muito mais preparadores da condição de solo para melhorar a utilização de todos os elementos disponíveis no solo. É uma abordagem diferente. Chamamos de remineralizador de solo, que é uma cadeira emergente no Brasil. Estamos falando de crise e abordagem estratégicas para dar início a novas alternativas”, pontua o diretor do CPRM.

Além disso, o PNF aponta para soluções em outras alternativas, como os fertilizantes organominerais e orgânicos (adubos orgânicos enriquecidos com minerais) e os subprodutos com potencial de uso agrícola, os bioinsumos e biomoléculas. Eles fazem parte de um plano B, já que a intensificação da mineração do potássio nas jazidas brasileiras conhecidas demanda alguns anos de preparação e investimento. Na melhor das hipóteses, se não houver nenhum embaraço e a exploração de potássio na Amazônia começar em breve, teremos resultados apenas a partir de 2025. E o trabalho por lá, segundo o CPRM, começou por volta de 2009.
 

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01/04/2022 00:52h

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), país tem reservas para garantir todo o minério usado na produção de fertilizantes consumidos por aqui até o ano de 2100 sem depender de importações

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O Brasil não só poderia ser autossuficiente na mineração do potássio, fertilizante essencial para a agricultura, como tem potencial para se tornar, inclusive, um dos maiores produtores mundiais. Segundo levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM), o potencial brasileiro em potássio seria de 2,9 bilhões de toneladas do minério. Todo o potássio produzido no Brasil é minerado em Sergipe, mas segundo o estudo, o país possui reservas significativas para garantir todo o minério usado na produção de fertilizantes consumidos por aqui até o ano de 2100 sem depender de importações. 

Sergipe fornece 3% do fertilizante consumido anualmente no Brasil (o local tem 463 milhões de toneladas em massa medida), outros estados podem ajudar a aumentar essa conta. Segundo mapeamento da ANM, em Minas Gerais há reservas estimadas em mais de 1,5 bilhão de toneladas de potássio; no Amazonas, 939 milhões de toneladas e em São Paulo, outras 38 milhões de toneladas. 

O Brasil produz, por ano, 550 mil toneladas de cloreto de potássio, mas a demanda é de 11 milhões de toneladas do minério, o que torna o país dependente de importações. Grande parte vem da Bielorrússia e Rússia, além do Canadá. A guerra entre russos e ucranianos disparou a crise dos fertilizantes, abrindo espaço para a alta de preços e falta dos insumos, que representam cerca de 30% dos custos de uma cultura. E como esse aumento é repassado para os alimentos, o receio é de uma crise econômica maior nos próximos meses, além de uma ameaça à segurança alimentar do país.  

Problema de reserva de potássio não está ligado diretamente à mineração em terras indígenas

FERTILIZANTES: Quais são os caminhos para reduzir dependência

Segundo Márcio Remédio, diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, a iniciativa mais próxima de atender parte da demanda brasileira é o Projeto Potássio Autazes, da empresa Potássio do Brasil LTDA, um empreendimento do banco Forbes & Manhattan (Canadá). 

Segundo o CPRM, o projeto de mineração de potássio em Autazes (AM), entre os rios Madeira e Amazonas, tem a capacidade de atender, pelo menos, 24% da demanda brasileira a partir de 2025. A empresa chegou a iniciar os procedimentos de consulta ao povo Mura, nas redondezas das áreas de extração, mas ele foi interrompido pela pandemia da Covid-19. O Ministério Público Federal também interrompeu qualquer avanço, já que a operação ocorreria entre 3 e 7 quilômetros de distância da terra indígena.

Márcio Remédio acredita que a melhor governança do potássio brasileiro não apenas vai suprir a necessidade interna, como também transformar o país em protagonista, já que abre portas para fornecer o fertilizante a outros países da América do Sul. “Nós vamos ser, sim, um player do mercado. Nós temos condição de suprir a nossa demanda, mesmo com o crescimento da demanda. No cenário mais otimista, nós chegamos a ser exportadores”, destaca o diretor da CPRM.

Mineração na Amazônia

A reserva de potássio na Amazônia abriu o debate sobre a necessidade de se minerar em terras indígenas. Mas esse montante, que representa um terço de todo nosso potencial de potássio, não está sob solo protegido. Estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que apenas 11% do minério encontrado na Amazônia Legal está em terras indígenas que ainda não foram homologadas.

Luis Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) explica que o potencial de mineração de potássio no Brasil é enorme e uma questão estratégica para o país, principalmente a reserva da Amazônia, que não se encontra em terras indígenas.

“Esse local é uma fonte que talvez o Brasil não possa abrir mão de explorar. Também é fato que esses locais não estão dentro das reservas indígenas. Pode ser que reservas indígenas contenham potássio, mas esses locais que nós estamos falando estão no entorno das terras indígenas. Numa resolução Conama, a gente criou as tais zonas de amortecimento. E essas zonas, para que elas sejam pesquisadas, exploradas, elas dependem das unidades gestoras, as unidades de conservação, que no caso são as reservas indígenas. O que a gente precisa é ouvir essas comunidades. Não é uma questão de minerar ou não minerar em terra indígena”, destaca Azevedo. 

“Agora, nesse momento muito importante, a gente está discutindo a nossa segurança alimentar. E para o nosso país tem um papel especial, porque pode ser a alavanca de volta da inflação, que vai fazer toda a nossa população sofrer. Essa questão da discussão do potássio na Amazônia é maior, a gente tem que colocar isso com uma lente muito maior”, explica.

Márcio Remédio, diretor de Geologia e Recursos Minerais do CPRM, explica que a reserva na Amazônia é uma grande estrutura, semelhante àquela que existe nos Urais, na Rússia e na Bielorrússia, e também no Canadá, três dos grandes produtores mundiais do mineral. “É o mesmo modelo, mesmo tamanho, mesma idade, então, é o mesmo potencial. A mesma profundidade também, cerca de 800 metros a mil metros de profundidade. Nós vislumbramos, entendemos que essa será a fonte de potássio solúvel para o Brasil. O potássio do Amazonas. A solução para esse déficit, a médio prazo, é o Amazonas”, ressalta o diretor do CPRM.
 

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31/03/2022 02:40h

Documento facilita o acesso de mineradoras e produtores rurais a linha de crédito para apoio na produção e comercialização de remineralizadores.

Com o objetivo de incentivar o uso dos remineralizadores de solo como recurso sustentável para a produção agrícola no País, a Prefeitura de Uberlândia (MG) firmou acordos com o Banco do Brasil e o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) durante a abertura da Feira do Agronegócio Mineiro (Femec 2022), que se realiza na cidade.  

Segundo o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, “estamos passando por um momento grave no agronegócio, que precisa de apoio, políticas públicas e inovação. Juntos podemos revolucionar o campo com o pó de rocha. O agronegócio depende de todos nós”.  

Com o Banco do Brasil, representado pelo superintendente estadual Gustavo Henriques da Rocha, o Município assinou um termo de cooperação para o desenvolvimento da cidade como Polo Agromineral Verde. Na prática, o documento facilita o acesso de mineradoras e produtores rurais a linha de crédito para apoio na produção e comercialização de remineralizadores de solo como o pó de basalto - abundante em Uberlândia. 

Já com o SGB-CPRM, que foi representado por seu diretor presidente, Esteves Pedro Colnago, foi firmada uma carta de intenções para expansão das pesquisas na região em torno das rochas ricas em minerais necessários à fertilização do solo.

 "Estamos vivendo um momento ímpar para o agronegócio brasileiro e o Serviço Geológico do Brasil está comprometido em contribuir com o trabalho desenvolvido aqui em Uberlândia", disse Colnago.

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21/03/2022 02:23h

Encontro realizado pela revista Brasil Mineral discutiu a questão da dependência que o Brasil tem do exterior de matérias primas para fertilizantes e a viabilidade das metas do PNF

O Plano Nacional de Fertilizantes, anunciado recentemente pelo Governo Federal, traz três metas “ousadas” para alguns nutrientes, especialmente para os que compõem a conhecida fórmula NPK:

  1. Atingir a produção de 1,6 milhão de toneladas de nitrogênio ao ano em 2025, 1,9 milhão em 2030, 2,3 milhões em 2040 e 2,8 milhões em 2050 (em termos de capacidade instalada);
  2. Aumentar 3% ao ano a exploração de rocha fosfática no Brasil até 2030 e 2% até 2050, alcançando, respectivamente, a produção de 14 milhões t/ano e 27 milhões t/ano;
  3. Elevar a produção nacional de potássio a, pelo menos, 2,0 milhões de toneladas até 2030; 4,0 milhões de toneladas até 2040 e 6,0 milhões de toneladas até 2050, em termos de capacidade instalada.


Para discutir a viabilidade técnico-econômica e operacional do Plano, assim como a questão da dependência que o Brasil tem do exterior de matérias primas para fertilizantes – assunto que ganhou os holofotes com o conflito Rússia x Ucrânia, a revista Brasil Mineral realizou, na tarde do dia 17 de março, com transmissão ao vivo em seu canal no Youtube, o webinar: “Fertilizantes: como reduzir a dependência externa?”. 

 

Participaram do encontro Márcio Remédio (diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB-CPRM), Luís Maurício Azevedo (presidente da ABPM) e Antenor F. Silva Júnior (membro do Conselho Consultivo da Brasil Mineral), além dos diretores da Brasil Mineral Sérgio de Oliveira e Francisco Alves.

Segundo informou Márcio Remédio, os diagnósticos e projeções do PNF consideraram três cenários – “nas condições atuais, na expansão dos projetos existentes e com novas descobertas, sendo que para o aumento da produção serão necessários ajustes tributários e tecnológicos, além de incentivos para a exploração mineral”. E, considerando um cenário mais otimista, Márcio acredita que é possível atingir as metas propostas – “o plano foi elaborado por diversos setores, com capacidade de análise efetiva, o que aumenta a sua credibilidade”.

Para Luís Maurício Azevedo, da ABPM, o tema “invade” a casa e influencia a mesa dos brasileiros: “apesar de exportarmos 49% da produção agrícola, o restante é consumido internamente. A dependência externa de insumos para a produção de fertilizantes não é nenhuma novidade e o Plano evidencia o aspecto da concentração, onde 15 empresas controlam praticamente todo o mercado mundial de fertilizantes. Se o Plano não funcionar, os maiores impactos serão sentidos na economia”.

Em sua análise, Luís Maurício avalia que existem meios acessíveis de substituir uma eventual falta de nitrogenados, ficando para fósforo e potássio as principais dúvidas do setor. Hoje, a reserva brasileira de 2,3 milhões t de potássio deve se extinguir em alguns anos – “para cumprir a meta do PNF, seria necessário dobrar a reserva de Taquari-Vassouras, que sabemos estar acabando”. Um problema considerando que outra reserva conhecida, a da Carnalita, já consumiu mais de US$ 1 bilhão em investimentos para um retorno incerto, devido ao baixo teor do minério (8,3%). Quanto aos depósitos da Amazônia, Azevedo ressaltou que estão ainda em fase de brownfield e sua construção ainda levará um tempo.

Antenor F. Silva Jr, que participou da elaboração do primeiro Plano Nacional de Fertilizantes, elaborado na década de 1970 pelo então Ministério da Indústria e Comércio, julga ser aquele programa mais factível que o atual: “o recente Plano Nacional de Fertilizantes é uma obra de ficção gráfica, considerando os problemas a serem resolvidos. Não temos, por exemplo, rocha fosfática e as jazidas conhecidas foram desenvolvidas por ocasião do primeiro plano, com firme apoio do BNDES”. De acordo com Antenor, as principais possibilidades de exploração de rocha fosfática conhecidas estão nas chaminés alcalinas de Minas Gerais e Goiás, começando a surgir algumas na Amazônia também. Quanto ao potássio, Antenor classifica como viáveis as jazidas da Amazônia, mas lembra que existe excesso de produção no mundo – “hoje consumimos de 70% a 80% da capacidade mundial, cuja produção está concentrada na Rússia”.

Márcio reafirmou que existem grandes reservas de potássio da Amazônia e que o projeto ainda não se viabilizou por uma questão de “conflito de áreas”, salientando ainda que um país com vocação agrícola não pode ficar restrito às importações de insumos para fertilizantes. No tocante à produção de nitrogenados, Márcio destacou que a Lei do Gás deverá trazer, em médio/longo prazo, o desenvolvimento dessa indústria no País e que outra alternativa que se mostra viável, no caso a indústria carboquímica do Sul, precisa vencer o impasse do licenciamento ambiental.

A maior preocupação, segundo o representante da SGB-CPRM, é em relação aos fosfatados, uma vez que o Brasil depende “de grande volume de importação de um único lugar”.

Luís Maurício disse que não adiantam grandes projetos enquanto houver desperdício no uso de fertilizantes no Brasil e elogiou o fato de o PNF considerar o aspecto da sustentabilidade, o que depende de um processo educacional do produtor e do desenvolvimento de novas tecnologias, o que deve ficar “sob a responsabilidade da iniciativa privada, cabendo ao Governo garantir um bom ambiente regulatório. Dessa forma, o retorno é mais rápido e a eficiência do recurso é maior”.

Na busca pela eficiência do uso de fertilizantes, Antenor ressaltou o uso do calcário agrícola para a correção de acidez do solo e disse ter sentido falta desse ponto no PNF.

O especialista acrescentou também que hoje a maior reserva de potássio do Brasil está no pré-sal (formado por cloreto de potássio e cloreto de sódio) e que, apesar de ter apresentado essa “ideia revolucionária” há dez anos, ainda acredita ser possível fazer a exploração através de “solution mining”.

As conclusões deste debate serão publicadas na próxima edição da revista Brasil Mineral. Até lá, é possível rever as apresentações em nosso canal no Youtube. Não deixe de se inscrever!

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14/03/2022 16:15h

Webinar será realizado no dia 17/3, das 15hs às 17hs, com transmissão ao vivo

A questão da dependência que o Brasil tem do exterior de matérias primas para fertilizantes ganhou destaque com o conflito Rússia x Ucrânia. O tema já vinha preocupando o governo, que agora lança o Plano Nacional de Fertilizantes, objetivando estimular o aumento da produção interna dos insumos essenciais para o desenvolvimento do agronegócio. 

Com o objetivo de discutir os caminhos e as possibilidades que o Brasil tem para aumentar a oferta interna dessas matérias primas e a viabilidade das metas estabelecidas pelo PNF, a Brasil Mineral está organizando o webinar “Fertilizantes: Como reduzir a dependência externa?”, que reunirá Bernardo Silva (Diretor Executivo do Sinpriferti), Márcio Remédio (diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB-CPRM), Luís Maurício Azevedo (presidente da ABPM) e Antenor F. Silva Júnior (membro do Conselho Consultivo da Brasil Mineral) e Francisco Alves (diretor editorial da Brasil Mineral). 

O webinar, com transmissão ao vivo, será realizado no dia 17/3, das 15hs às 17hs. Maiores informações pelo email: brasilmineral@brasilmineral.com.br.

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