CNI

01/07/2022 04:15h

Semana Nacional do Empreendedorismo Feminino, proposta por projeto de lei, busca conscientizar a população sobre os desafios das mulheres no mercado de trabalho

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As mulheres estão na liderança de três em cada dez empreendimentos no Brasil. É o que aponta o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em relação aos Microempreendedores Individuais, a participação feminina chega a 48%. No entanto, segundo o Ministério da Economia, as mulheres respondem por apenas 20% das operações de crédito.

Para conscientizar a população sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, especialmente ao empreender, tramita no Senado Federal o projeto de lei 2458/2019, que institui a Semana Nacional do Empreendedorismo Feminino. A data deve ser comemorada anualmente em novembro, em razão do Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino (19 de novembro).

A doutora em Psicologia Cultural com ênfase em Empreendedorismo Feminino pela Universidade de Brasília (UnB), Noêmia Santos, acredita que a proposta deve beneficiar o debate sobre o tema no âmbito nacional.

“Eu acredito que esse debate vai trazer importantes frutos nas cidades brasileiras, porque sabemos da importância do empreendedorismo, tanto nos grandes centros como nas pequenas cidades. Quando falamos com empreendedoras, percebemos essa necessidade de formação em temáticas relacionadas ao empreendedorismo. Então, em uma semana como essa, poderíamos ofertar cursos como financeiro, logística, contabilidade, recursos humanos, marketing, mídias sociais, dentre outros”, recomenda. 

A autora do PL 2458/2019, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), afirma que proporcionar oportunidades para as mulheres empreenderem pode afastá-las da violência doméstica.

“Quando falamos da mulher empreendedora, estamos tirando essa mulher de um campo de vulnerabilidade. Porque muitas vezes, a mulher que não trabalha, não está fora, ela está submetida a muitas violências. Uma violência física, sexual e psicológica. Eu conheço vários grupos de mulheres que se submetem a esse ciclo de violência por serem ainda dependentes do marido. Então, quando falamos de uma mulher empreendedora, temos que entender que essa mulher tem que ter acesso ao microcrédito, tem que ter acesso à capacitação, para que ela possa empreender.”

Segundo Noêmia Santos, as mulheres possuem menos acesso ao crédito do que os homens, com taxas de juros maiores, apesar de serem melhor pagadoras.

“Isso acaba sendo um resultado de como enxergamos ainda o empreendedorismo feminino. É reconhecido pela sociedade e pelas instituições financeiras como uma extensão de alguma atividade doméstica. Então, quando falamos sobre empreendedorismo feminino, precisamos reconhecer que é um trabalho e que é, sim, um negócio. Talvez, a partir daí, as mulheres tenham mais acesso a financiamento”, avalia.

Políticas públicas

Noêmia Santos cita três políticas públicas necessárias para incentivar o empreendedorismo feminino: acesso ao financiamento; criação de espaços para as empreendedoras mostrarem seus produtos e serviços; e suporte social.

“Um espaço, onde a micro e pequena empreendedora possa apresentar seu produto, divulgar e fazer conexões com outras pessoas que também estão atuando naquela área ou em áreas correlatas. Então, eu dei o exemplo da Auê Feira, que é uma feira de pequenas artesãs em Fortaleza. Em conversa com uma das organizadoras, ela me informou que essa feira foi bem importante para o cenário daquela região, especialmente no contexto da pandemia.”

A especialista destaca a necessidade de suporte social para o empreendedorismo feminino, apontado por Ana Fontes, autora do livro Negócios: Um assunto de mulheres.

“Falta bastante suporte social para as mulheres, especialmente para aquelas que exercem alguma atividade denominada como reprodutiva, isso é, quando a mulher além de trabalhar, empreender, ela também precisa cuidar de algum membro da família. Então toda e qualquer política pública, que pudesse oferecer suporte para essas mulheres, com certeza seria uma política pública de forte impacto social.”

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Fórum Nacional da Mulher Empresária

Para apoiar estratégias que promovam o aumento da diversidade e a participação da liderança feminino no setor empresarial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou o Fórum Nacional da Mulher Empresária.

O órgão é presidido pela diretora do Grupo Bandeirante, Mônica Monteiro, e composto por 30 conselheiras de diversos setores do empreendedorismo. Juntas, elas são responsáveis por formular e acompanhar as políticas de contratação sem distinção de gênero, o desenvolvimento de competências, a ampliação da diversidade na indústria e a expansão de oportunidades para empresas lideradas por mulheres.

A presidente do fórum Mônica Monteiro ressaltou a luta histórica das mulheres por direitos e independência financeira.

“A história da conquista do direito da mulher é um processo muito lento e doloroso. Mas nada disso será definitivo e capaz de gerar transformação real, se as mulheres não tiverem acesso à independência financeira. E isso passa por acesso a salários iguais aos homens e melhoria de acesso ao crédito para poder empreender sem grandes dificuldades.” 

O presidente da CNI, Robson Andrade, destacou o papel da mulher no crescimento da indústria brasileira.

“Esse empreendedorismo, garra, vontade, conhecimento, inteligência e determinação que as mulheres têm certamente vão fazer com que a indústria brasileira possa crescer nos próximos anos e voltar a ocupar um lugar de destaque. Com o avanço da tecnologia industrial, caminhando para o 4.0, isso trouxe uma grande oportunidade para as mulheres participarem, uma vez que há um trabalho de inteligência, de capacidade de concentração, de coordenação e de liderança.”

O Fórum Nacional da Mulher Empresária também vai subsidiar a atuação brasileira na Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS, mecanismo criado pelas chefias dos países membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para promover o empreendedorismo e o potencial feminino, além da inclusão de empresas femininas nas cadeias de valor globais.

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29/06/2022 20:40h

Pré-candidato apresentou suas propostas em diálogo promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Evento também contou com as participações de Simone Tebet e Jair Bolsonaro

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O pré-candidato à presidência da república Ciro Gomes pretende recriar o Ministério da Indústria e Comércio, se eleito. A pasta foi criada em 1960 e extinta em 2019, tendo suas atribuições incorporadas ao Ministério da Economia. A declaração de Ciro Gomes ocorreu durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (29), em Brasília.

“Eu vou recriar o Ministério da Indústria e Comércio, mas vou criar um grande aforamento ao redor do presidente da República, para discutir, acompanhar, supervisionar, criticar, trocar e substituir prioridades do próprio projeto nacional de desenvolvimento.”

O diálogo, que também contou com as exposições dos presidenciáveis Simone Tebet e Jair Bolsonaro, teve como base as 21 Propostas da Indústria para as Eleições 2022, elaboradas por sugestões do empresariado, das federações da indústria dos estados e das associações setoriais da indústria. O documento apresenta temas relevantes para a indústria brasileira, como infraestrutura, tributação, política industrial, educação, meio ambiente e eficiência do estado. 

Plano Nacional de Desenvolvimento

O pré-candidato Ciro Gomes apresentou o seu Plano Nacional de Desenvolvimento, que estabelece objetivos, prazos e métodos de controle das políticas nacionais. 

“O Brasil não tem plano para nada. Projeto significa um plano com começo, meio, fim, orçamentação, prazo, meta, quem faz o quê, qual é a tarefa do capital privado, qual é a tarefa do capital internacional.”

Ciro Gomes apresentou quatro propostas políticas de seu plano de governo:

  • Consumo das famílias: responsável por 60% do PIB brasileiro. Deriva de três fatores: emprego, renda e crédito. “Se eu não tenho emprego e renda, o único lugar onde posso e tenho que fazer política pública é no crédito popular. Sessenta e cinco milhões de pessoas estão com nomes sujos no SPC. É preciso uma política pública que faça uma reestruturação prudente e cautelosa”, diz Ciro.
  • Crédito para as empresas: “O governo impõe um juro tão impagável que, hoje, seis milhões de empresas estão no Serasa. Temos como fazer um fundo de reestruturação de crédito empresarial. Mas precisamos fazer uma dinâmica de recapitalização do BNDES”, considera.
  • Retomada das obras públicas paradas: Ciro pretende fazer um investimento de R$ 3 trilhões de reais, em dez anos, para garantir de forma contínua a retomada da competitividade e da produtividade, a partir da logística e da infraestrutura do país, com envolvimento da iniciativa privada.
  • Estabelecer uma Política Industrial de Comércio Exterior. Nesse quesito, o presidenciável destacou os complexos industriais de saúde, do agronegócio, do petróleo, gás e energias renováveis e da defesa, nos quais o Brasil já possui tecnologia.

“Ninguém reforma o país se não houver uma complicidade com o povo brasileiro, meritocrática, transformando as eleições em um plebiscito sobre as reformas. E é o que eu vou tentar fazer.”

Educação

Quando perguntado sobre suas estratégias para elevar a qualificação profissional ao nível dos atuais desafios tecnológicos, Ciro Gomes citou os exemplos de políticas educacionais implementadas por ele no estado do Ceará e que pretende aplicar em todo o país, se for eleito.

“Fazer da escola um lugar atraente, perseguir de forma absolutamente radical a evasão escolar, estabelecer a alfabetização na idade certa e a qualificação profissional em nível médio. Isso será uma política pública central do meu governo.”

“Se houver um centavo para gastar, esse centavo será gasto na revolução educacional, que terá todas essas qualificações: equipamentos, ferramentaria pedagógica. Mas o essencial é a mudança do paradigma pedagógico, do enciclopedismo raso para uma economia do conhecimento, que prepara o jovem para o futuro”, acrescenta.

Evento

O evento “Diálogo da Indústria com os Pré-Candidatos à Presidência da República” foi promovido pela CNI nesta quarta-feira (29). Diante de mais de 1,2 mil empresários, Simone Tebet, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro defenderam suas propostas de governo. 

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a importância do evento. “Nosso objetivo é contribuir para aprofundar o debate eleitoral e a consolidação de um país mais próspero, que ofereça oportunidades de trabalho e renda para todos os brasileiros”. 

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29/06/2022 19:55h

Pré-candidata apresentou suas propostas em diálogo promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Evento também contou com as exposições de Ciro Gomes e Jair Bolsonaro

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Pré-candidatos à presidência da República apresentaram suas propostas de governo em diálogo promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (29), em Brasília. O evento contou com as exposições dos pré-candidatos Simone Tebet, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, atual presidente que busca a reeleição.

O diálogo teve como base as 21 Propostas da Indústria para as Eleições 2022, elaboradas por sugestões do empresariado, das federações da indústria dos estados e das associações setoriais da indústria. O documento apresenta propostas sobre temas relevantes para a indústria brasileira, como infraestrutura, tributação, política industrial, educação, meio ambiente e eficiência do estado. 

Segundo o presidente da CNI, Robson Andrade, o objetivo é apresentar um “caminho para a construção de uma economia sólida e competitiva, que certamente se traduzirá em uma sociedade melhor e em uma qualidade de vida melhor para todos os brasileiros”.

Durante a apresentação, a pré-candidata à presidência e atual senadora Simone Tebet afirmou que seu projeto de governo está estruturado em um tripé: cuidado social, parceria com a iniciativa privada e economia verde e sustentável.

Cuidado Social

Entre as propostas, a senadora Simone Tebet afirma que seu governo vai focar em erradicar a miséria e a fome e diminuir a desigualdade social e a pobreza. “Para isso, [é necessário] um grande programa de transferência de renda permanente para as famílias que mais precisam. Mas com condicionantes, exigindo que as crianças estejam na escola, com vacina de carteira atualizada, e exigindo também que aquele jovem, aquela mulher e aquele trabalhador vão para um curso profissionalizante, para que possam sair da condição de miserabilidade e abrir vagas para outras famílias”.

A pré-candidata também defende a educação pública de qualidade, sob responsabilidade de todos os entes federados, inclusive da União. “A União tem que coordenar, trazer para si essa missão de garantir apoio aos municípios. E fazer uma política efetiva de implementar a nova reforma do ensino médio que aprovamos no Congresso Nacional”.

Segundo Simone Tebet, o novo ensino médio tem as condições de garantir que os jovens cursem um ensino técnico e tenham duas portas de saída: o mercado de trabalho ou a universidade.

Parceria com a iniciativa privada

O segundo tripé das propostas de governo da pré-candidata Simone Tebet é a parceria do governo com a iniciativa privada. 

“O estado necessário é aquele que presta saúde, educação, segurança pública, habitação de qualidade, e deixa a iniciativa privada fazer todo o resto; ser parceiro no livre mercado, por meio de um amplo programa de investimento em logística, dando para a iniciativa privada as regras claras, transparentes, fáceis de serem executadas, para que possamos transformar o Brasil em um grande parque de obras públicas, de geração de emprego e renda, por meio de investimentos maciços em ferrovias, rodovias duplicadas, portos, aeroportos e cabotagem.”

A senadora destacou a importância de um marco regulatório claro, transparente e desburocratizante, que chame a iniciativa privada para ajudar a transformar o país por meio da geração de emprego e renda. 

Ela também ressaltou os projetos em tramitação no Congresso Nacional para o desenvolvimento do setor ferroviário no país, que irão diminuir o Custo Brasil em termos de logística.

Economia Verde

O terceiro tripé das propostas de governo de Simone Tebet é a economia verde e sustentável. Segundo a presidenciável, não se deve separar o agronegócio ou a indústria do meio ambiente.

“É agronegócio e meio ambiente. É indústria e meio ambiente. É provar que nosso agronegócio é sustentável, que a nossa indústria tem preocupação com a sustentabilidade do planeta e do país, que o setor produtivo está preocupado, sim, seja com a questão da energia renovável na transição energética, seja com a economia circular.”

Durante a coletiva de imprensa, Simone Tebet deixou clara sua posição com relação aos prejuízos ambientais.

“Temos que ser rigorosos com aqueles poucos que denigrem a imagem da indústria, do agronegócio e setor produtivo brasileiro e rigorosos contra o desmatamento. É desmatamento ilegal zero. Estaremos revogando todos os decretos ou todos os atos normativos que, de alguma forma, representem retrocesso na questão ambiental. É para punir grileiros e mineradores ilegais, que denigrem a imagem do agronegócio e derrubam árvores e ameaçam o meio ambiente brasileiro. Só assim vamos ter condições de nos reinserirmos no mercado internacional.”

Propostas da Indústria

Simone Tebet afirma que todas as 21 propostas da indústria para as eleições de 2022 fazem parte do seu programa de governo, dentre elas:

  • Política Nacional de Desenvolvimento Industrial Científico e Tecnológico sob os moldes das melhores práticas do comércio exterior, com energia de baixo carbono e inovação como prioridade. 
  • Reforma Tributária (PEC 110 e 45). “Uma reforma que tribute menos o consumo, para impactar menos a população mais carente. Que simplifique e desburocratize. Que onere menos a pessoa jurídica e que, com uma tributação eficiente, transparente e rápida, possa fazer com que voltemos a ter a retomada do desenvolvimento”.
  • Criação do Ministério do Planejamento e Orçamento. “Dinheiro tem. Arrecadamos muito e arrecadamos mal. Gastamos muito e gastamos mal. [É necessário] trazer o ESG (governança ambiental, social e corporativa) para dentro da máquina pública”.
  • Plano Nacional de Energia Renovável. “Esse plano tem que acontecer dentro da Petrobrás e dentro do Ministério. É preciso que o governo federal encampe essa questão, acreditando na economia sustentável e abrindo o mercado regulado do carbono”.

Simone Tebet afirma que, pela primeira vez, o Brasil tem condições de estar no centro da geopolítica e geoeconomia mundial. “Nós temos o que o mundo não tem. Nós temos a floresta Amazônica. Nós temos condições de fazer dinheiro com crédito de carbono. Nós temos condições de atrair os fundos de investimentos privados que, até a pandemia, tinha algo entre US$ 40 trilhões. [Esses fundos] cobram economia verde, estabilidade institucional e segurança jurídica. E o Brasil tem condições de rapidamente fornecer isso ao mundo.”

Evento

O evento “Diálogo da Indústria com os Pré-Candidatos à Presidência da República” foi promovido pela CNI nesta quarta-feira (29). Diante de mais de 1,2 mil empresários, Simone Tebet, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro defenderam suas propostas de governo. 

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a importância do evento. “Nosso objetivo é contribuir para aprofundar o debate eleitoral e a consolidação de um país mais próspero, que ofereça oportunidades de trabalho e renda para todos os brasileiros”. 

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27/06/2022 04:00h

Especialistas apontam como nova legislação pode auxiliar nas melhorias de infraestrutura com investimentos privados mesmo em municípios de baixa renda

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Os investimentos em saneamento básico garantem melhores condições de saúde à população e podem ser aplicados mesmo em municípios com dificuldades econômicas, a partir de parcerias com a iniciativa privada. É isso que afirmam especialistas no tema, que observam o novo marco legal do saneamento como uma virada de chave de pensamento, ações e impactos diretos para os brasileiros.

“A partir do novo marco de saneamento, de 2020, o tema ganhou repercussão, especialmente diante da importância do Brasil se posicionar em âmbito mundial, inclusive em termos de qualidade ambiental. Não dá para admitir que o país ainda conviva com esses números. Soma-se a eles inclusive que o Brasil tem aproximadamente 2.600 a 2.800 municípios que ainda encaminham seus resíduos e rejeitos para lixões”, comenta Fabrício Soler, advogado, professor e consultor jurídico internacional em resíduos sólidos.

Para ele, o texto aprovado recentemente e agora em vigor traz possibilidades de investimentos mais adequados para essa área. “Sem dúvida alguma, a parceria com o setor privado empresarial, por intermédio de concessões e parcerias público-privadas, é o caminho que a gente tem notado como de sucesso para fins de universalização do serviço de saneamento”, afirma.

O marco passou pelo Congresso Nacional e contou com apoio de parlamentares como o senador Lasier Martins (PODE/RS). Para ele, essa é uma matéria de extrema relevância que diz respeito a um direito básico que influencia diretamente na saúde pública. “Onde tem esgoto e água tratada há menos demanda pelo SUS e evitam-se incontáveis doenças. É a mazela do Brasil, porque metade da população brasileira, isto é, 100 milhões de brasileiros, não têm água tratada e esgoto. Principalmente não têm esgoto”, pontua.

O senador acredita que o novo texto aprovado traz uma perspectiva diferente. “Agora, neste contexto, poderemos ter licitações, isto é, podemos ver empresas se candidatando para prestar esse serviço. Inclusive, as estatais terão o direito de abrir capital. Então, pelo menos uma providência foi tomada. Ainda tardiamente, mas antes tarde do que nunca. De modo que esperemos que agora, com a entrada da iniciativa privada, se enfrente esta terrível mazela do Brasil que causa de tantas doenças e tantos atrasos”, avalia.

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Shows e contrastes

A forma como cada município direciona verbas para investimentos nas cidades tem sido bastante debatida em 2022, pois decisões judiciais deste ano barraram a contratação de shows de alto valor em locais com baixo acesso a serviços essenciais, como o saneamento. Em 16 de junho, por exemplo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu a realização de apresentações da dupla sertaneja Bruno e Marrone e da banda de pagode Sorriso Maroto previstos para um evento em Urucurituba, município de 24 mil habitantes localizado a 218 km de Manaus, e que custariam R$ 700 mil. 

O pedido partiu do Ministério Público do Estado do Amazonas, que afirmou que a cidade de Urucurituba “vem enfrentando grande precariedade nos serviços de saneamento básico” e os shows dos artistas causariam “lesão ao erário público”. 

O presidente do STJ, Humberto Martins, destacou esse problema. “Apenas 23% da população conta com tratamento de esgoto. E, não bastasse isso tudo, os dados trazidos ainda evidenciam que existem ações judiciais buscando adequação de prestação de serviços, como por exemplo, em relação ao aterro sanitário da cidade”, publicou na decisão. 

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Meio Ambiente
10/06/2022 17:05h

Participantes de seminário da CNI em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, também debateram papel dos pequenos negócios na promoção da sustentabilidade

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Uma pesquisa revelou que 77% das empresas já haviam escutado sobre ESG (sigla, em inglês, para Ambiental, Social e Governança) antes da consulta; que 49% das indústrias têm o conceito integrado à sua estratégia; e 32% estão se planejando para incorporá-lo. O estudo foi divulgado durante seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (8).

A pesquisa foi feita com cem indústrias brasileiras para verificar como está a incorporação dos critérios ESG por essas empresas. Ao serem questionadas sobre quem mais influencia a integração ESG pela empresa, as indústrias elegeram o mercado consumidor, com 71,6%. “É o público que está norteando a inclusão da proposta de ESG na estratégia de negócio”, afirmou Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da CNI. O conselho de administração e os acionistas vieram em seguida. Entre os principais desafios percebidos por essas indústrias para a adoção dos critérios ESG está a carência de recursos humanos. 

Para especialistas, a incorporação de critérios ESG  pelas empresas pesa cada vez mais na injeção de investimentos do mercado financeiro no setor produtivo. O assunto foi debatido no seminário, além de como os pequenos e médios negócios podem contribuir para que as cadeias produtivas sejam mais sustentáveis. 

A iniciativa da CNI celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último domingo (5). Na abertura do evento, o vice-presidente executivo da CNI, Glauco José Côrte, destacou que o conceito ESG ganhou espaço na mídia e no mundo empresarial nos últimos três anos. Segundo ele, a pandemia mostrou que a retomada do crescimento deve estar aliada a princípios sustentáveis. 

“Os desafios relacionados à sustentabilidade têm exigido cada vez mais responsabilidade e transparência na forma como as empresas interagem com o meio ambiente, se relacionam com seus stakeholders e nas estratégias de gestão adotadas. Isso tem impactado diretamente as avaliações de riscos e decisões de investimentos do mercado financeiro, demandando um reposicionamento das lideranças empresariais”, afirmou. 

Clovis Zapata, representante adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento industrial no Brasil, destacou que a indústria, conforme o nono objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS), é um pilar para o desenvolvimento econômico. 

“A indústria é uma das alavancas para o desenvolvimento da sociedade como um todo. A indústria brasileira tem um potencial enorme para ser protagonista no uso eficiente de recursos naturais, visando a inserção na economia de baixo carbono e aumentando a participação nas cadeias globais de valor, com mais produtividade, mais eficiência na utilização dos recursos escassos e gerando emprego e renda”, disse. 

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ESG e a indústria brasileira

Carlos Takahashi, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) destacou que, por causa das mudanças climáticas, os investidores estão mais conscientes e criteriosos na hora de aportar recursos. “Já em 2020 havia dados que mostravam que, do lado dos investidores, havia uma procura muito maior por investimentos sustentáveis, ou seja, os investidores continuavam buscando retorno, mas queriam que isso viesse de boas práticas ambientais, sociais e, obviamente, de uma boa governança”, disse. 

Beatriz Stuart Secaf, gerente de Sustentabilidade da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), disse que o debate em torno da responsabilidade dos agentes financeiros no fomento a iniciativas que levam em conta os critérios ESG amadureceu, entre outras coisas, por “evidências científicas” e “um maior senso de urgência”. 

“Para viabilizar essa transição, as próprias instituições financeiras já reconhecem o seu papel e responsabilidade em financiar essas atividades que tenham impacto positivo na sociedade”, avalia. 

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel, destacou a importância das empresas de grande porte nesse processo. “A aceleração desse movimento passa muito pelo encadeamento produtivo, onde as empresas de maior porte, com maior capacidade de investimento, com equipes mais montadas e estruturadas, e as práticas que elas adotam podem por efeito cascata ir chegando nas menores”, pontua. 

Renato Perlingeiro Salles Junior, analista da Unidade de Competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional), reforçou que as micro e pequenas empresas podem encarar a agenda sustentável como uma oportunidade. “É uma oportunidade para o pequeno empresário melhorar a eficiência do seu negócio, identificar as oportunidades de se posicionar para acessar mercados mais exigentes, desenvolver novas tecnologias e se diferenciar para o consumidor do futuro”, orienta. 

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05/06/2022 18:00h

Dados da Organização Internacional do Trabalho revelam que as empresas podem ter um aumento de 5% a 20% na lucratividade, quando há diversidade no corpo de funcionários

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Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que são precisos dois séculos para haver igualdade de gênero no mercado de trabalho. No Brasil, apenas 8,6% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, enquanto no resto do mundo esse índice é de 16,9%. 

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as empresas podem ter um aumento de 5% a 20% na lucratividade, quando há diversidade no corpo de funcionários. 

Além disso, segundo o Banco Europeu, proporcionar às mulheres oportunidades iguais de trabalho pode gerar US$ 165 trilhões em riqueza com o melhor uso da habilidade humana. 

As informações foram destacadas durante o lançamento do Fórum Nacional da Mulher Empresária, no dia 25 de maio, em Brasília. A iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem o objetivo de apoiar estratégias que promovam o aumento da diversidade e a participação da liderança feminina no setor empresarial.

O órgão será presidido pela diretora do Grupo Bandeirante, Mônica Monteiro, e composto por 30 conselheiras de diversos setores do empreendedorismo. Juntas, elas serão responsáveis por formular e acompanhar as políticas de contratação sem distinção de gênero, o desenvolvimento de competências, a ampliação da diversidade na indústria e a expansão de oportunidades para empresas lideradas por mulheres.

Na ocasião, a presidente do fórum, Mônica Monteiro, destacou a luta histórica das mulheres por direitos e independência financeira.

“A história da conquista do direito da mulher é um processo muito lento e doloroso. Mas nada disso será definitivo e capaz de gerar transformação real, se as mulheres não tiverem acesso à independência financeira. E isso passa por acesso a salários iguais aos homens e melhoria de acesso ao crédito para poder empreender sem grandes dificuldades.” 

“Nós queremos cargos e comandos. Nós queremos condições para as mulheres empreenderem, que consigam levar suas ideias, sonhos, maturidade, que façam suas empresas e seus negócios, que criem mais empregos, que contratem muitos homens e muito mais mulheres”, acrescenta.

AMAZÔNIA PRA ELAS: Programa do Basa estimula empreendedorismo entre mulheres

TRABALHO: Governo cria medidas para estimular emprego entre mães

Empreendedorismo: um caminho mais difícil para as mulheres

Antônia Rodrigues é cabeleireira e proprietária do salão Beleza Crespa, em Brasília. O empreendimento surgiu em 2014, quando ela ficou desempregada, e foi inspirado na necessidade de cuidar dos cabelos crespos das próprias filhas. Antônia afirma que enfrentou desafios por ser mulher.

“Acho que enfrentamos alguns obstáculos a mais, muitas vezes impostos pela própria sociedade. Mas nada que nós mulheres não possamos enfrentar e superar.”

A senadora Mailza Gomes (PP-AC) ressalta que mulheres e homens possuem a mesma capacidade e competência no mercado de trabalho. “Quando se tem a oportunidade, igualdade salarial e autonomia, quebramos tabus e rompemos o machismo estrutural de que as mulheres são para o lar e para a família. Quem ganha é a sociedade.”

A parlamentar também destaca o potencial da liderança feminina nas empresas. “Mesmo com as dificuldades, nós mulheres temos toda a capacidade técnica e comportamental para lidar bem com as demandas de um cargo mais alto: voz de comando, empatia. Quando uma mulher ocupa uma posição de destaque, motiva outras mulheres. E essa corrente permite eliminar pensamento de incapacidade e descobrir a autoconfiança que existe dentro de cada uma. Com nossas inúmeras habilidades e competências, contribuímos de maneira significativa para o crescimento das empresas e para a economia do país.”

Mulher na Indústria

Durante o lançamento do fórum, o presidente da CNI, Robson Andrade, destacou o papel da mulher no crescimento da indústria brasileira.

“Esse empreendedorismo, garra, vontade, conhecimento, inteligência e determinação que as mulheres têm certamente vão fazer com que a indústria brasileira possa crescer nos próximos anos e voltar a ocupar um lugar de destaque. Com o avanço da tecnologia industrial, caminhando para o 4.0, isso trouxe uma grande oportunidade para as mulheres participarem, uma vez que há um trabalho de inteligência, de capacidade de concentração, de coordenação e de liderança.”

A senadora Mailza Gomes afirma que a presença das mulheres em qualquer área do mercado de trabalho, inclusive aquelas consideradas "masculinas'', traz uma nova perspectiva e crescimento para as instituições.

“Nossa postura organizacional estimula, motiva e inspira, o que é muito importante em uma líder. Essas nossas características fizeram as organizações implementarem ações que quebrassem obstáculos que impediam a força feminina de crescer no ambiente interno. Apesar dos desafios, que ainda são muitos, seguimos firmes na luta por direitos e provando a nossa potência profissional”, afirma.

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02/06/2022 16:55h

Do total, 35,2 mil profissionais já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar

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O estado do Piauí precisa qualificar 47,7 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025. A informação consta no Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, compilado pelo Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total, 12,4 mil deverão se capacitar em formação inicial - para repor os inativos e preencher novas vagas - e 35,2 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar.

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, afirma que a qualificação profissional é crucial tanto para os trabalhadores que já estão empregados quanto para aqueles que estão fora do mercado de trabalho.

“O aperfeiçoamento deve ser uma estratégia para todos os profissionais. O aprendizado ao longo da vida passa a ter um papel fundamental no mercado de trabalho nos dias de hoje.”

No Piauí, a demanda pelo nível de capacitação até 2025 será de:

  • Qualificação com menos de 200 horas: 26.113 profissionais
  • Qualificação com mais de 200 horas: 9.914 profissionais
  • Técnico: 2.782 profissionais
  • Superior: 8.971 profissionais

Em volume, ainda prevalecem as ocupações com nível de qualificação, cerca de 75% do total. Mas, segundo Márcio Guerra, houve um crescimento da demanda por formação em nível superior.

“O nível superior cresce sem dúvida a uma taxa muito elevada. Então, é preciso entender que fazer educação profissional não é o fim de uma trajetória.

Profissionais que fazem qualificação profissional, fazem curso técnico e depois caminham para o ensino superior são profissionais extremamente valorizados no mercado de trabalho, pela experiência, pela prática e também pela formação”, avalia.

Áreas de formação

No Piauí, as áreas que mais vão demandar profissionais capacitados, tanto em formação inicial, quanto continuada, são:

  • Construção: 12.473 profissionais
  • Transversal: 5.688 profissionais
  • Logística e Transporte: 5.566 profissionais
  • Metalmecânica: 5.430 profissionais
  • Têxtil e Vestuário: 4.101 profissionais
  • Alimentos e Bebidas: 3.112 profissionais
  • Automotiva: 1.761 profissionais
  • Tecnologia da Informação: 1.482 profissionais
  • Eletroeletrônica: 1.352 profissionais
  • Gestão: 1.272 profissionais

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada a automação de processos industriais.”

Ele também explica que há diferenças nas áreas de formação mais demandadas entre os estados. Isso se deve à dimensão do país e à complexidade da economia brasileira. Segundo Márcio Guerra, a heterogeneidade de recursos e de produção acaba refletindo essas características.

"Nós sabemos que, em alguns estados, há uma concentração industrial maior e em outras regiões, como a região Norte, há uma dispersão maior. Então a estrutura industrial, ou seja, os setores que são predominantes em determinadas regiões são diferentes.”

INDÚSTRIA: Demanda por profissionais com nível superior deve crescer 8,7% até 2025

Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2025

Mapa do Trabalho Industrial

De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, o Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos. Márcio Guerra explica que a projeção considera o contexto econômico, político e tecnológico do país.

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o Senai, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

O deputado Júlio César (PSD-PI) afirma que é preciso investir no setor industrial, que no passado representou 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e hoje está em 22,2%, segundo a CNI.

“Tem que ter uma política de fomento à reação da indústria em todos os setores. Então eu acredito que o Congresso eleja isso como prioridade para gerar emprego e renda e, principalmente, o treinamento desses 9,6 milhões de trabalhadores do setor da indústria. E nós vamos trabalhar na Comissão de Orçamento, onde eu sou membro hoje, para conseguir o crédito adicional para financiar o crescimento da economia no Brasil.”

Confira outras informações do Mapa do Trabalho Industrial e a demanda de outros estados no link.

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23/05/2022 03:36h

Índice de Desempenho da Pequena Indústria teve melhor resultado no primeiro trimestre desde 2012

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Os programas de renegociação de dívidas beneficiam 94,6% das micro e pequenas empresas industriais de Minas Gerais. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, do total de 59.879 empresas industriais no estado, 74,2% são microempresas, com até nove empregados, e 20,4% são pequenas empresas, com dez a 49 empregados. 

O deputado federal Fábio Ramalho (MDB-MG) destaca a importância dos programas de renegociação de dívidas aprovados pelo Congresso Nacional para a preservação de micro e pequenas empresas (MPEs) no estado de Minas Gerais. 

“Creio que, sem essas renegociações, muitas das pequenas empresas teriam que demitir ou até mesmo fechar as portas. Em um estado tão grande e com regiões tão diversas como Minas Gerais, são as micro e pequenas empresas que efetivamente sustentam a economia do estado”.

O economista Newton Marques afirma que a renegociação de dívidas é um fator positivo para a recuperação das MPEs.

“O maior problema dessas pequenas empresas é o capital de giro. Então quando há algum tipo de renegociação por parte das instituições financeiras, ou mesmo por parte do governo com os programas de recuperação do financiamento, isso também dá uma notícia alentadora e dá um pouco de folga para essas micro e pequenas empresas.”

Segundo o economista Cesar Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB), programas como o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) contribuíram com a manutenção dos empregos nas MPEs.

“Outro aspecto importante foi a flexibilização das relações trabalhistas, que possibilitou alguns acordos com relação à manutenção dos empregos. E nós sabíamos muito bem que os empresários que apostaram na manutenção dos empregos tomaram a decisão correta, porque agora, com a retomada, eles vão precisar fazer contratação e nada melhor do que o trabalhador já treinado.” 

Prazo para adesão ao Relp é adiado para 31 de maio

Reabertura do prazo de regularização tributária será defendida na Câmara dos Deputados

Panorama da Pequena Indústria

O Índice de Desempenho da Pequena Indústria teve melhora e alcançou 45,5 pontos na média do primeiro trimestre deste ano; o melhor para o período desde 2012. Segundo o Panorama da Pequena Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em janeiro deste ano, o indicador registrou 43,3 pontos e ficou abaixo da média histórica (43,5 pontos). Mas, nos meses seguintes, o desempenho melhorou: em fevereiro, o aumento foi de 1,8 pontos e, em março, de mais 2,9 pontos.

O economista Newton Marques afirma que os números positivos da pequena indústria se devem aos melhores desempenhos dos setores de construção civil e extrativo.

“Isso se deve porque as pessoas ainda têm algum tipo de renda para poder fazer compras nesses setores e com isso eles acabam repercutindo positivamente. É o caso, por exemplo, do financiamento, no caso da construção civil, e alguns pequenos negócios que estão se desenvolvendo.”

Segundo o economista Cesar Bergo, as pequenas indústrias têm se adaptado melhor à retomada econômica pós-pandemia.

“As estruturas dessas empresas são bem menores e mais flexíveis também. Elas se adaptam com maior facilidade. Então era de se esperar, com a retomada, que essas empresas na área industrial saíssem na frente. E a tendência é que realmente elas consigam, durante os próximos meses, melhorar e muito essas atividades.”

Pequena indústria tem o melhor desempenho no primeiro trimestre desde 2012

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23/05/2022 02:00h

Do total, 7,6 milhões são profissionais que já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar

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O Brasil precisa investir no aperfeiçoamento e na qualificação de pelo menos 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2025. É o que conclui o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, realizado pelo Observatório Nacional da Indústria. Desse total, 2 milhões deverão se capacitar em formação inicial, para repor os profissionais inativos e preencher as novas vagas, e 7,6 milhões em formação continuada, para os trabalhadores que precisam se aperfeiçoar. 

O gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a importância da formação continuada em um mercado de trabalho concorrido.

“Independente de já se ter uma formação, é preciso estar se atualizando continuamente. Isso é bom pelo lado da indústria, porque a indústria precisa fortalecer a sua produtividade para que tenhamos produtos cada vez mais competitivos no mercado, e para o trabalhador, porque ele precisa estar sempre atualizado nas novas tecnologias, competindo nesse mercado de trabalho bastante concorrido.”

Além disso, o estudo estima que o país deve criar 497 mil novas vagas formais em ocupações industriais nesse período, alcançando 12,8 milhões de empregos no setor. O crescimento na demanda por trabalhadores será de:

  • 2,4% em nível de qualificação com menos de 200 horas: 208 mil vagas
  • 3,2% em nível de qualificação com mais de 200 horas: 64 mil vagas
  • 6,3% em nível técnico: 136 mil vagas
  • 8,7% em nível superior: 90 mil vagas

O estudo revela que, em número de vagas, ainda prevalecem as ocupações de nível de qualificação (272 mil vagas). Contudo, o crescimento da demanda por profissionais de nível técnico e superior é maior. De acordo com o levantamento, isso ocorre por conta das mudanças organizacionais e tecnológicas, que fazem com que as empresas busquem profissionais mais qualificados.

Áreas de formação

As áreas com maior demanda por formação são: Transversais; Metalmecânica; Construção; Logística e Transporte; e Alimentos e Bebidas. 

Formação inicial  

  • Transversais (411.149) 
  • Construção (346.145) 
  • Metalmecânica (231.619) 
  • Logística e Transporte (194.898) 
  • Alimentos e Bebidas (181.117) 
  • Têxtil e Vestuário (137.996) 
  • Automotiva (92.004) 
  • Tecnologia da Informação (76.656) 
  • Eletroeletrônica (55.747) 
  • Couro e calçados (48.868) 

Formação continuada 

  • Transversais (1.393.283) 
  • Metalmecânica (1.300.675) 
  • Logística e Transporte (1.095.765) 
  • Construção (780.504)  
  • Alimentos e Bebidas (583.685) 
  • Têxtil e vestuário (509.354) 
  • Tecnologia da Informação (397.836) 
  • Eletroeletrônica (248.790) 
  • Gestão (226.176) 
  • Automotiva (208.317)

O estudo aponta que, devido à lenta recuperação na abertura de novas vagas formais, a formação inicial servirá, principalmente, para repor a mão de obra inativa. 

Márcio Guerra destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada à automação de processos industriais.”

Mapa do Trabalho Industrial

O gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, explica que o Mapa do Trabalho Industrial é uma projeção que considera o contexto econômico, político e tecnológico. 

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o SENAI, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho.”

Segundo Guerra, a partir dos dados existentes sobre o mercado de trabalho, o mapa apresenta projeção da demanda de profissionais nos níveis nacional, regional, setorial e ocupacional. 

“Esse dado serve de orientação para construção de políticas, mas sobretudo para o planejamento da oferta de educação profissional. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

Para acessar o Mapa do Trabalho Industrial na íntegra, clique no link.

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19/05/2022 00:56h

Para economista, a criação de programas de crédito ou renegociação de dívidas contribuiu com a preservação das micro e pequenas empresas

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O Índice de Desempenho da Pequena Indústria teve melhora e alcançou 45,5 pontos na média do primeiro trimestre deste ano; o melhor para o período desde 2012. Segundo o Panorama da Pequena Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em janeiro deste ano, o indicador registrou 43,3 pontos e ficou abaixo da média histórica (43,5 pontos). Mas, nos meses seguintes, o desempenho melhorou: em fevereiro, o aumento foi de 1,8 pontos e, em março, de mais 2,9 pontos.

O professor de economia do Ibmec Brasília, William Baghdassarian, explica que o crescimento do desempenho da pequena indústria se deve à melhora do cenário econômico brasileiro a partir de 2021.

“O Brasil é uma economia média, que depende das condições internacionais. Quando Estados Unidos, Europa e outros países estão com a economia aquecida, normalmente nós estamos aquecidos também. Por conta do aquecimento americano e da aprovação de reformas, a atividade econômica no Brasil está de fato voltando. E as pequenas empresas já começam a sentir uma melhoria na demanda.”

Segundo Baghdassarian, a criação de programas de crédito ou renegociação de dívidas contribuiu com a preservação das micro e pequenas empresas (MPEs).

“Não só na época da pandemia, como até agora. Programas, como por exemplo o Pronampe, que é um programa de empréstimo com garantia da União, ajudaram muita gente; o BEm, Benefício Emergencial (de Manutenção do Emprego e da Renda). Então, o empresário acabou conseguindo sobreviver e começa a ver um certo horizonte.”

Na avaliação do especialista em direito público Eliseu Silveira, medidas como o Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no âmbito do Simples Nacional (Relp) são essenciais para os empresários de pequeno porte, já que eles compõem o grupo dos mais afetados pelo fechamento do comércio, devido à pandemia da Covid-19.

“Nos meses em que os empresários ficaram com o seu comércio fechado, não se gerou um abatimento no valor dos impostos, ou uma diminuição; [mas] apenas a prorrogação do prazo de pagamento. Então, é de suma importância a aprovação de política de renegociação de dívidas tributárias, porque são esses empresários que garantem até 70% dos empregos do país; os micro e pequenos empresários”, explica.

O deputado federal Vermelho (PL-PR) esclarece que o governo não vai perder receita com o Relp, ou novo Refis, como também é chamado.

“O Refis melhora para todas as empresas inscritas no Simples Nacional. Muitas empresas têm dificuldades e elas querem que o governo abra mão um pouco da correção dos juros e dos honorários, para pagar o imposto devido em alguns parcelamentos. Claro que isso beneficia a todas as empresas cadastradas no Simples, a pequena indústria, o pequeno comércio.”

Prazo para adesão ao Relp é adiado para 31 de maio

Reabertura do prazo de regularização tributária será defendida na Câmara dos Deputados

Confiança e Perspectiva

O Índice de Confiança do Empresário Industrial para as pequenas indústrias também teve melhora e alcançou 56,4 pontos em abril de 2022, um aumento de 5,1 pontos na comparação com o mesmo mês do ano passado. Quando o índice está acima de 50 pontos significa que o empresário está otimista e quanto maior o indicador, mais disseminada está a confiança.

Além disso, o Índice de Perspectivas alcançou 51,3 pontos em abril deste ano, um aumento de 3 pontos quando  comparado com o mesmo período de 2021.
Mas, na opinião do economista William Baghdassarian, a tendência é que o ritmo de melhora do cenário econômico desacelere.

“A primeira razão é que já está contratada uma crise nos Estados Unidos, por conta dessa aceleração econômica muito forte. Portanto, é esperado que haja um aumento da taxa de juros americana para conter um pouco essa inflação, e isso deve ter efeitos no Brasil, em termos de atividade econômica. Nós também vivemos um momento de incerteza econômica muito grande [no Brasil]. Não há muita clareza de qual linha econômica teremos a partir de 2023.”

Desafios 

De acordo com o levantamento da CNI, a falta ou o alto custo das matérias-primas permaneceram no primeiro lugar do ranking dos principais problemas enfrentados pelas MPEs da indústria extrativa, de transformação e da construção. A elevada carga tributária aparece em segundo lugar.

“Não é à toa que o custo dos insumos está muito alto. Tudo aquilo que é ligado ao mercado externo, ou é negociado em dólar, sofre tanto pelo preço internacional quanto pelo preço do dólar. Por exemplo, o preço da gasolina não sobe só por causa do preço do barril de petróleo. Ele sobe também pela variação do dólar. Então quando o dólar sobe, mesmo que o barril de petróleo esteja estável, o preço da gasolina vai subir”, explica o economista William Baghdassarian.

Ele também ressalta a importância de o país ter uma economia equilibrada, para não ter que aumentar a carga tributária.

“Na prática, se você não tem uma economia equilibrada, onde se gasta o que se ganha, você tem o tempo todo que aumentar a carga tributária. Quando você aumenta a carga tributária, diminui o lucro das empresas, para fazer uma redistribuição de renda ao contrário. Como o governo gasta mais do que ganha, acaba tendo que pegar dinheiro emprestado. Então tira dinheiro da população como um todo, para pagar os credores.”

O deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) acredita que “só após uma reforma tributária justa e equitativa conseguiremos resolver essa grande disparidade''.

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Brasil 61