Tecnologia desenvolvida no Ceará, capacete Elmo salva vidas durante a pandemia em todo o Brasil. FOTO: Tatiana Fortes/Governo do Ceará
Tecnologia desenvolvida no Ceará, capacete Elmo salva vidas durante a pandemia em todo o Brasil. FOTO: Tatiana Fortes/Governo do Ceará

Capacete Elmo: dispositivo criado no Brasil ajuda a reduzir em 60% intubação em pacientes com pneumonia

Respirador idealizado por médico cearense ajuda a salvar vidas na pandemia e vence prêmio de inovação


Chamado de capacete Elmo, o respirador não invasivo idealizado pelo médico pneumo intensivista Marcelo Alcantara ajudou a salvar milhares de vidas durante a pandemia de Covid-19. O dispositivo ajuda a reduzir em 60% a necessidade de intubação em pacientes com pneumonia. 

A inovação, desenvolvida em apenas três meses, ganhou o prêmio do 9º Congresso de Inovação da CNI, promovido em São Paulo, no mês de março. O protótipo foi desenvolvido em parceria com o Instituto SENAI de Tecnologia (IST) do Ceará, universidades, secretaria de saúde estadual, fundo de financiamento de pesquisa do Ceará e uma empresa privada, a Esmaltec. 

“Expliquei que o capacete poderia servir para evitar a intubação e assim não pressionar o sistema de saúde, ao mesmo tempo que dá a chance ao paciente - que está precisando de oxigênio e tem um risco alto de ser entubado - de superar doença sem ser entubado”, lembra o médico Marcelo Alcântara. Ele teve a ideia em 2020, no início da pandemia da Covid-19 frente a um cenário de escassez de respiradores tradicionais. 

O capacete oferece oxigênio combinado com ar comprimido. As trocas gasosas são pressurizadas e controladas por válvulas e filtros. “Com isso você garante essa pressurização, que auxilia na respiração do paciente que tem pneumonia, por exemplo, a pneumonia pela Covid-19”, exemplifica o médico intensivista. 

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Dentre as opções de ventilação, o capacete é a mais confortável. Por ser transparente, permite que o paciente mantenha contato visual com o ambiente. Além disso, evita a contaminação. “Ele protege o ambiente de contaminação. Os vírus que o paciente possa eliminar tossindo, espirrando, falando ficam dentro do capacete. Com isso não contamina o ambiente, nem as pessoas que estão do lado do paciente, incluindo os profissionais de saúde que podem trabalhar com mais segurança nesse momento”, destaca Alcântara. 

O novo produto foi autorizado de forma emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que pudesse ser produzido e comercializado. O deputado federal Eduardo Bismark (PDT-CE) comemorou o reconhecimento do trabalho realizado no Ceará. “É um marco na luta de combate à pandemia. Fico orgulhoso em saber que o equipamento é cearense e fruto de pesquisa e investimento”. 

O deputado, que propôs um projeto de lei que estabelece o Marco da Inteligência Artificial, defende que é urgente que o país olhe para a tecnologia. “Pesquisa e inovação salvam vidas e colaboram com o desenvolvimento nacional”, considera. 

Segundo a Esmaltec, atualmente, quase 10 mil capacetes foram distribuídos pelo país desde o início do projeto até o mês de abril. Quase 2.400 equipamentos foram doados ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará e mais de 2.100 profissionais foram capacitados em todo o Brasil pela Escola de Saúde Pública do estado até março deste ano.

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LOC: Chamado de capacete Elmo, o respirador não invasivo idealizado pelo médico pneumo intensivista Marcelo Alcantara ajudou a salvar milhares de vidas durante pandemia de Covid-19. O dispositivo ajuda a reduzir em 60% a necessidade de intubação em pacientes com pneumonia. 

O capacete transparente é ajustado na cabeça do paciente. Além de fornecer um combinado de oxigênio com ar comprimido, protege o paciente e o ambiente de contaminações. O idealizador do projeto conta como foi o processo de criação, no início da pandemia, em 2020, diante do risco de colapso no sistema público de saúde.
 

TEC./SONORA: Marcelo Alcântara, médico intensivista, idealizador do capacete. 

“Eu propus algo diferente. Eu propus a gente desenvolver o capacete. Naquela época o nome não era Elmo. E aí os argumentos que eu coloquei foi exatamente a descrição de como funciona o capacete, por esses mecanismos e ele poderia servir para evitar a intubação e assim não pressionar o sistema de saúde ao mesmo tempo que dá chance do paciente, que está precisando de oxigênio, que tem um risco alto de ser intubado, dele superar a doença sem ser entubado.”
 

LOC: A inovação, desenvolvida em apenas três meses, ganhou o prêmio do 9º Congresso de Inovação da CNI, promovido em São Paulo, no mês de março. O protótipo foi resultado da parceria com o Instituto SENAI de Tecnologia do Ceará, universidades, secretaria de saúde estadual, fundo de financiamento de pesquisa do Ceará e uma empresa privada, a Esmaltec. O deputado Eduardo Bismark, do PDT do Ceará, comemorou o reconhecimento do trabalho realizado no estado.
 

TEC./SONORA: Eduardo Bismark, deputado pelo PDT do Ceará 

“Serviu não só para o Ceará, mas para o Brasil todo, de baixo custo, baixo valor aquisitivo. Portanto, acessível a mais diversas prefeituras, governos e hospitais para atender seus pacientes. Inclusive foram feitas muitas doações desse capacete de empresários que compraram pra poder doar e assim foi u m uma junção de esforços e que a gente se orgulha muito."
 

LOC:  Atualmente, quase 10 mil capacetes foram distribuídos pelo país. Desses, quase 2.400 equipamentos foram doados ao Sistema Único de Saúde.

Reportagem, Angélica Cordova